Aliados de Flávio e de Lula também publicaram conteúdos nas redes sociais após o debate - Reprodução/Redes sociais Leia Também• Desafios de Lula hoje em Juazeiro e Petrolina• O peso dos debates para mudar votos e mobilizar eleitores para irem às urnasO primeiro debate entre os candidatos à presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado no último domingo (18), pela TV Bandeirantes, causou grande repercussão nas redes sociais. Além do confronto na televisão, os postulantes ao Executivo nacional travaram batalhas de narrativas em seus perfis das redes sociais.
Nos números, Lula saiu em vantagem e registrou o vídeo com mais visualizações no comparativo com Flávio no instagram. O petista publicou um trecho do debate em que pergunta ao senador se ele recebeu o voto do policial militar que defendeu, em julgamento, acusado de matar Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, em 2021. Até ontem, a postagem tinha 20 milhões de views. Já a publicação de Flávio com mais visualizações foi o áudio do ex-banqueiro e fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, em que ele afirma ter transferido R$ 30 milhões ao Instituto Lula. A postagem do senador foi assistida por 18,1 milhões de pessoas. Aliados dos dois candidatos também utilizaram as redes no pós-debate como uma tentativa de fortalecer as imagens dos postulantes. Do lado de Flávio, o deputado federal reeleito em Minas Gerais Nikolas Ferreira (PL-MG) provocou os ex-ministros de Lula Fernando Haddad (PT-SP) e Simone Tebet (PSB-SP) ao chamá-los de “desempregados”. Na aliança de Lula, o também deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG) exaltou o desempenho do petista no debate e disse que a performance adversária foi marcada por arrogância e ódio. Análise O cientista político Isaac Luna, avalia que a intensificação do uso das redes sociais pelos candidatos no pós-debate é uma estratégia cada vez mais crescente na política atual. Apesar disso, ele avalia que o comportamento prejudica a qualidade dos debates de propostas. “O debate foi orientado por performance, não para o momento, mas como ele repercutiria depois e como seria utilizado os recortes para as redes sociais. Se faz um debate público no qual não se discute o modelo de país que está em jogo. Se vai em temas que causam engajamento e, a partir disso, produzem material. A política já foi transferida da arena pública para a arena digital. É o que eu chamo de tecnopolítica”, avalia. A cientista política Priscila Lapa acrescenta que esse tipo de estratégia colabora para um maior acirramento de ânimos. “O debate está se tornando mais algo sobre a performance individual, performática, do que de conteúdo. De uma maneira geral, apenas serviu para acirrar ainda mais os ânimos dentro de uma eleição profundamente mobilizada quase que pura e simplesmente pela lógica do afeto”, explica.




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