Competição tem documentário e animação, além de ficções
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10.set.2026 às 10h00
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O 59º Festival de Brasília começa nesta sexta-feira (11) com sete longas e 12 curtas em competição, além de homenagens, mostras paralelas e da apresentação de episódios da série inédita "Delegado", produzida por Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux.
"São filmes que, de alguma maneira, representam olhares sobre o Brasil, sobre questões políticas, culturais, sociais", diz Eduardo Valente, diretor artístico do festival e um dos cinco integrantes da comissão que selecionou os longas. Havia interesse também pela exploração da linguagem cinematográfica, e, dessa vez, há não apenas ficções.
"Ana, en Passant", de Fernanda Salgado, é uma animação de Minas Gerais. "Pequenas Tragédias", do goiano Daniel Nolasco, mistura ficção e elementos documentais. O Rio de Janeiro participa com o documentário "Tudo é Tempo 2002-2022", de Marcos Guttman.
A Bahia aparece com "Todo o Sentimento", da dupla Ary Rosa e Glenda Nicácio, diretores do elogiado "Café com Canela"; São Paulo, com "Privadas de Suas Vidas", terror de Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner. O segundo longa mineiro é "Se Eu Fosse Vivo… Vivia", de André Novais Oliveira. A seleção se completa com um trabalho do Distrito Federal, "Sabes de Mim, Agora Esqueça", de Denise Vieira, já conhecida pelas parcerias com Adirley Queirós.
A distribuição regional dos longas, porém, deixa de fora Norte e Sul. Questionado, Valente diz que a curadoria considera também os curtas como parte da mostra competitiva, contemplando assim essas regiões. "A gente tem essas nuances de regionalidade que são importantes", diz. Segundo ele, mesmo entre os curtas paulistas, há produções realizadas fora da capital e em contextos bastante diferentes entre si.
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Outra regra que admite exceções é a do ineditismo. O regulamento dá preferência a longas ainda não exibidos no Brasil, mas não transforma a condição em exigência.
Neste ano, "Sabes de Mim, Agora Esqueça" já havia sido exibido na Mostra de Tiradentes. Valente diz que a comissão decidiu incluí-lo porque considerou importante que um longa de Brasília, ainda não mostrado na cidade, estivesse na competição.
Os longas da mostra recebem R$ 30 mil cada pela seleção, e os curtas, R$ 10 mil. O festival não prevê um grande prêmio adicional em dinheiro para o vencedor do Candango.
Valente diz que esse modelo de distribuição dos recursos foi adotado há cerca de 12 anos, depois de uma discussão sobre a concentração de recursos nos vencedores. A decisão, diz, buscou evitar a associação entre "valor artístico" e "valor financeiro". O prêmio permanece como reconhecimento do júri, enquanto o pagamento pela participação é dividido previamente.
"Para nós, o que importa é o filme participar do festival. O prêmio, o valor dele é o próprio prêmio", afirma.
O desenho é diferente na Mostra Brasília, dedicada à produção do Distrito Federal e responsável por quase R$ 300 mil em prêmios. Valente explica que ela é operada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, que administra essa competição segundo outra lógica financeira e de seleção.
A edição deste ano chegou a ser posta em dúvida depois do atraso na liberação de recursos do governo do Distrito Federal. Valente, porém, diz que a direção nunca considerou deixar de realizar o festival.




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