As empresas que correram para disponibilizar ferramentas de inteligência artificial nas mãos de seus funcionários estão começando a frear seu uso, à medida que o custo de implementação da tecnologia em larga escala começa a testar os orçamentos corporativos. Leia mais (06/21/2026 - 06h00)

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Londres e San Francisco | Financial Times

As empresas que correram para disponibilizar ferramentas de inteligência artificial nas mãos de seus funcionários estão começando a frear seu uso, à medida que o custo de implementação da tecnologia em larga escala começa a testar os orçamentos corporativos.

Amazon, Walmart, Cisco, Uber e Meta estão entre as primeiras empresas que impuseram limites, desestimularam o uso desnecessário ou direcionaram os funcionários para modelos mais baratos na tentativa de manter os gastos com IA sob controle.

A mudança marca uma nova fase na adoção corporativa da IA. À medida que os profissionais avançam dos chatbots para os agentes de IA —que podem realizar tarefas complexas de forma autônoma, mas exigem muito mais capacidade de processamento—, as empresas estão sendo forçadas a analisar minuciosamente se cada comando (prompt, em inglês) e tarefa vale o custo.

Essa pressão se intensificou à medida que grupos como Anthropic e OpenAI mudaram alguns serviços de assinaturas fixas para a cobrança baseada em tokens, que contabilizam as unidades de dados processadas pelos modelos. A mudança expôs as empresas de forma mais direta ao custo de cada prompt e fluxo de trabalho automatizado.

"Os custos de computação estão começando a entrar no radar tanto dos diretores financeiros quanto dos conselhos de administração. Consumidores e empresas foram ensinados que a IA é barata ou gratuita, e esse definitivamente não é o caso", afirmou Costi Perricos, líder global de IA generativa na Deloitte.

Sam Altman, CEO da OpenAI, declarou neste mês que o custo surgiu como um "grande problema" para os clientes em 2026. "O assunto nunca veio à tona [no passado]... as pessoas estavam totalmente satisfeitas com o valor que estavam gastando".

O presidente e diretor de operações da Uber, Andrew Macdonald, revelou que estava se tornando "mais difícil justificar" os gastos da empresa com tokens de IA. "É muito difícil traçar uma linha direta entre uma dessas estatísticas e dizer 'Ok, agora estamos realmente produzindo 25% mais recursos úteis para o consumidor'", disse em um podcast recente.

A empresa de transporte por aplicativo introduziu limites de uso, restringindo os funcionários a US$ 1.500 em gastos mensais com tokens em ferramentas individuais de IA, após estourar todo o seu orçamento de IA para 2026 até abril. A Bloomberg foi a primeira a informar sobre esse limite.

O Walmart limitou de forma semelhante o uso de seu próprio agente de IA interno, estabelecendo um teto para o número de tokens que os funcionários podem usar. Suresh Kumar, diretor global de tecnologia do Walmart, comentou que o uso da plataforma interna de programação por comando (vibe-coding) da empresa, a Code Puppy, "realmente disparou".

"Esta é agora uma oportunidade para darmos um passo atrás", comentou, acrescentando que os funcionários estão recebendo a tarefa de identificar as ferramentas certas para cada atividade.

Jeetu Patel, presidente e diretor de produtos da Cisco, mencionou que as empresas estão tendo que equilibrar o desejo de usar a tecnologia para implementar agentes com o custo e a disponibilidade de tokens.

"A quantidade de infraestrutura necessária para um agente é significativamente maior do que para um chatbot", apontou Patel. "Para cada humano, você pode ter 10, 100 ou, no cenário mais agressivo, 1.000 agentes... eles simplesmente continuam trabalhando, e isso consome uma grande fatia de [processamento]".

Analistas do Goldman Sachs previram em maio que o uso de agentes de IA resultará em um aumento de 24 vezes no consumo de tokens até 2030, e que o enorme aumento na demanda agravará a escassez de chips nos próximos 12 a 18 meses.

Embora o uso de tokens e os gastos com IA pelas empresas continuem a crescer, os esforços para conter os custos podem pesar no crescimento dos maiores laboratórios de IA do mundo, como Anthropic e OpenAI, que planejam abrir capital na Bolsa dos EUA no final deste ano com avaliações de mercado próximas a US$ 1 trilhão.