George Santoro (Transportes) diz que o atual nível dos juros dificulta o financiamento de projetos de infraestrutura

George Santoro (Transportes) diz que o atual nível dos juros dificulta o financiamento de projetos de infraestrutura

Sérgio Lima/Poder360 - 16.jun.2026

enviado especial a Dom Aquino (MT) 20.jun.2026 (sábado) - 18h08 Siga o Poder360 no Google

O ministro dos Transportes, George Santoro, cobrou neste sábado (20.jun.2026) mais transparência do Banco Central nas decisões sobre a Selic, a taxa básica de juros.

A declaração foi dada durante a inauguração da Ferrovia Estadual de Mato Grosso, em Dom Aquino (MT). Segundo o ministro, a autoridade monetária precisa apresentar mais informações sobre os critérios usados pelo Comitê de Política Monetária para definir a taxa. Santoro citou como exemplo o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, que, segundo ele, grava e divulga as reuniões.

“O Banco Central precisa discutir a transparência das suas decisões, como é fixada essa taxa. É importante discutir isso. É preciso dar transparência à metodologia. Não estou discutindo a independência, mas a forma. Nós precisamos melhorar a transparência para construir uma agenda fundamental, que é juros compatíveis com o desenvolvimento da infraestrutura e de novos negócios”, disse em Dom Aquino (MT).

Na 4ª feira (17.jun), o Copom decidiu por unanimidade reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. Foi o 3º corte consecutivo de igual magnitude.

Apesar do ciclo de redução, representantes da indústria e integrantes do governo continuam criticando o nível da taxa. O Brasil tem o maior juro real do mundo.

“Infelizmente vivemos juros muito altos no Brasil e empreendedores como a Rumo, que querem fazer uma ferrovia de R$ 5 bilhões, precisam de apoio, e o governo federal, por meio de linhas especiais como debêntures incentivadas ancoradas pelo BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], ajudou nesse empreendimento”, declarou.

Desde que assumiu o Ministério dos Transportes, em abril, Santoro defende a participação do Estado no financiamento de grandes obras de infraestrutura, como ferrovias. Segundo ele, a iniciativa privada não consegue custear sozinha esse tipo de empreendimento.

O ministério trabalha para retomar o programa federal de concessões ferroviárias. A carteira tem 8 projetos que devem ser leiloados do 2º semestre de 2026 a 2027.

Para atrair investidores, o governo anunciou uma linha de financiamento do BNDES específica para ferrovias, com prazo de até 40 anos.

O jornalista viajou a convite da Rumo Logística.