O presidente da Fifa, o suíço Gianni Infantino, pediu desculpas pelos "erros" que cometeu ...
O presidente da Fifa, o suíço Gianni Infantino, pediu desculpas pelos "erros" que cometeu envolvendo seu plano polêmico de venda de participações em competições para investidores privados, mas permanecerá como chefe da entidade após receber o apoio de executivos de alto escalão em uma reunião no Marrocos.
Infantino convocou os membros da diretoria para a sede da Fifa na África, em Rabat, na quarta-feira (05/08), após críticas crescentes às suas propostas de remodelar a estrutura das competições — que foram abandonadas. A entidade máxima do futebol mundial divulgou um comunicado de apoio a Infantino quatro horas após o término da reunião.
A Uefa, entidade que rege o futebol europeu, afirmou no fim de semana que perdeu a confiança em Infantino, classificando a proposta para criação da Fifa Forward Enterprise (FFE) como um "acordo obscuro, feito nos bastidores e sem qualquer transparência".
Muitas críticas vieram de dentro da própria Fifa, incluindo do secretário-geral Mattias Grafstrom, que estava presente na reunião de quarta-feira. Em um memorando interno enviado aos funcionários da Fifa na terça-feira, ele escreveu que a situação é "uma série de eventos tristes e repreensíveis".
No entanto, em um comunicado divulgado após a reunião, Grafstrom e o conselho administrativo "reafirmaram seu total apoio" a Infantino como presidente.
Infantino e Grafstrom também enviaram uma carta assinada — a qual a BBC teve acesso — aos vice-presidentes da Fifa, ao conselho e às 211 associações que integram a entidade, dizendo que "pedem sinceras desculpas" pelos seus erros e "se comprometem a que eles não voltem a acontecer".
Ambos foram fotografados assistindo juntos a uma partida da Copa Africana de Nações Feminina em Rabat após o encontro.
Infantino tinha oferecido a todas as associações US$ 40 milhões se elas apoiassem uma proposta de investimento privado em seus torneios, incluindo as Copas do Mundo masculina e feminina, por meio de uma nova subsidiária, a FFE, mas desistiu do plano após sua repercussão negativa.
A Fifa afirmou que durante a reunião de quarta-feira os "erros" relativos à FFE foram "reconhecidos", acrescentando que "não era a intenção" que o conselho da Fifa e a associação de membros "se sentissem excluídos do processo e que o processo deveria ter sido conduzido de forma diferente".
A entidade "reconheceu que erros também foram cometidos depois que a proposta vazou para a imprensa" — em reportagem publicada pelo jornal britânico Times em 28 de julho.
No entanto, o comunicado também afirmou que a organização "não tolerará mais quaisquer ataques à sua integridade, boa governança e devido processo legal e tomará todas as medidas necessárias para proteger e salvaguardar seu nome e reputação".
Anteriormente, a Fifa negou uma reportagem do Times de que Infantino teria prometido ao Marrocos que o país sediaria a final da Copa do Mundo de 2030 em troca de seu apoio.
A Fifa afirmou que se tratava de uma alegação "falsa e enganosa" e que uma decisão sobre onde se realizará a final, cujo torneio também será sediado por Espanha e Portugal, será tomada "em tempo oportuno".
Infantino espera que isso marque o fim da mais recente, e talvez a maior, controvérsia que tem marcado seus 10 anos de mandato.
No entanto, essa demonstração de apoio por parte dos dirigentes da Fifa veio na sequência de críticas ainda mais contundentes.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, cujo país sediou a recente Copa do Mundo com os Estados Unidos e o México, disse que não tinha mais confiança em Infantino.
O ex-jogador do Barcelona, Real Madrid e da seleção portuguesa, Luís Figo, que concorreu à presidência da Fifa contra o antecessor de Infantino, Sepp Blatter, em 2015, antes de desistir da candidatura, pediu a renúncia imediata do dirigente suíço.
Figo disse: "Infantino desgastou o cargo que prometeu engrandecer".
"É tarde demais para salvar sua dignidade, mas não é tarde demais para salvar o futebol."
Mas Infantino, de 56 anos, parece determinado a lutar pela reeleição para um quarto mandato.




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