Investigações policiais revelaram que grupos de homens exploraram e abusaram sexualmente de meninas menores de idade em diversas cidades inglesas entre as dé...

Aviso: Esta história contém detalhes de violência sexual.

Mulheres na Inglaterra que sobreviveram a anos de exploração sexual — forçadas a se prostituírem a serviço de quadrilhas criminosas — disseram à BBC que hoje veem seus abusadores circulando livremente pela cidade onde moram. Muitos dos abusadores cumpriram penas curtas de prisão ou nunca foram sequer processados, dizem as vítimas.

"Uma loja, um posto de gasolina, um restaurante. Em qualquer lugar que você possa imaginar, você verá um homem que fez alguma coisa", disse Sarah, uma das sobreviventes, à BBC.

Sarah e outras duas sobreviventes, que moram na cidade de Oxford, acreditam que "centenas" de criminosos da quadrilha ainda estão soltos. Um ex-detetive de polícia que liderou a investigação inicial sobre as gangues de aliciamento sexual em Oxford concorda.

Esta é a primeira vez que Sarah e outra sobrevivente falam publicamente sobre o que sofreram. As identidades foram alteradas para protegê-las.

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Investigações policiais revelaram que grupos de homens exploraram e abusaram sexualmente de meninas menores de idade em diversas cidades inglesas — como Oxford, Rotherham, Rochdale e Telford — entre as décadas de 1990 e 2010.

O governo do Reino Unido lançou este ano uma investigação nacional para apurar por que razão crianças vulneráveis não foram protegidas na Inglaterra e no País de Gales.

Uma das hipóteses é que as atitudes de autoridades policiais em relação à etnia dos agressores podem ter contribuído para as falhas.

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Em algumas cidades, a maioria dos autores dos crimes foi identificada como homens mais velhos de origem paquistanesa. Em Rotherham, a polícia foi acusada de hesitar em agir contra os criminosos por medo de ser vista como racista. Mas em Oxford, uma investigação minuciosa não encontrou evidências de que esse tenha sido um fator determinante.

O escândalo das gangues de aliciamento sexual tornou-se um tema nacional no Reino Unido em 2023. O então primeiro-ministro conservador Rishi Sunak disse que as vítimas dessas quadrilhas foram ignoradas por agentes sociais, políticos e policiais por causa do pensamento "politicamente correto".

O líder da oposição na época, Keir Starmer, que depois se tornou premiê trabalhista, disse que o politicamente correto não deveria "atrapalhar" o trabalho legal contra as quadrilhas, mas afirmou que a "grande maioria dos casos de abuso sexual" não envolvia minorias étnicas.

O inquérito do governo britânico lançado em abril tenta responder a várias perguntas que as próprias autoridades ainda não entendem sobre essas gangues — que operavam em diversas partes do país. O objetivo do inquérito é:

A investigação deve durar no máximo três anos — até 2029 — e terá um orçamento de 65 milhões de libras (R$ 440 milhões).

Sarah afirma ter sido abusada sexualmente e drogada com heroína desde os 11 anos de idade. Mais de duas décadas depois, três homens foram considerados culpados de abusá-la depois que ela testemunhou contra eles no tribunal. Eles foram condenados a penas de prisão que variaram de cinco a 24 anos em 2020.

Mas para Sarah, que lutou contra o vício em drogas durante a maior parte de sua vida e já passou um tempo na prisão, as penas foram muito brandas e demoraram muito tempo para serem sentenciadas.

"Acho que eles deveriam ficar lá para sempre, porque obviamente tiraram a minha vida", diz ela.

Chloe, outra sobrevivente, diz que também vê alguns de seus agressores em sua região. Como muitas sobreviventes, ela optou por não prestar queixa à polícia.