Susana Ribeiro leva anos a escrever sobre o mundo. Primeiro como jornalista em revistas de viagens e mais recentemente no seu site. As viagens são a sua vida! Hoje vive delas - é líder de viagens.
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Sejam bem-vindos. A viajante desta semana adora viajar e escrever e depois de dois ensaios com blogs, criou um site onde vai escrevendo há vários anos o que vê e o que vive pelos lugares onde viaja. O site é o viajacomigo.com. A nossa viajante é jornalista, já foi a 75 países e há 10 anos que é também líder de viagem. Recentemente lançou o livro "Viajar Sozinha". Susana Ribeiro, bem-vinda às conversas do "Fim do Mundo". Viajar sozinha precisa de um guia prático, é isso?
Olá e desde já muito obrigada pelo convite. Eu sei que essa é uma pergunta que muita gente faz, sobretudo para quem viaja sozinha e diz: "Eu não preciso disso pra nada". Mas a experiência que eu tenho de muitas mulheres que viajam comigo como tour leader, que acompanho os grupos, e também depois do workshop que eu fiz de viajar sozinha, eu notava que os receios são diferentes de pessoa para pessoa. Há pessoas que podem não falar inglês e isso já é um receio para não viajar sozinha ou outros. E o fato é que depois os destinos de sonho vão ficando na gaveta durante uma vida, porque não temos companhia para viajar. E de facto, chegou uma altura que depois de tanto escrever textos que pretendem ser um incentivo no viajacomigo.com, decidi: "Isto se calhar devia de estar em papel e num livrinho muito maneiro pra ir até na mala de mão", porque é um livro de bolso, e que as pessoas possam levar e até fazer anotações durante a viagem, de como é que está a ser a experiência, porque depois de nós começarmos a viajar sozinhos, depois já não conseguimos voltar ao primeiro ponto. E termos as mesmas sensações, já não é possível. E então é giro que fique escrito ali também, para mais tarde recordar.
Muito bem. O mundo é mais hostil para as senhoras, Susana?
Dizem os números que sim. Infelizmente, não vou estar a ir por aí. Mas é um facto que nós todas crescemos a ouvir as notícias e que temos muitas vezes que estar bem atentas ao meio que nos rodeia nas viagens. Os homens também, mas é um facto que para as mulheres acaba por ser menos seguro. E também depois há uma coisa que temos que compreender, acho eu, que eu própria também compreendi há pouco tempo. Nós somos mulheres, muitas vezes, que somos as primeiras das nossas famílias a viajarmos sozinhas, sem ter que pedir autorização a ninguém e que temos poder econômico para o fazer. Por isso, há uma série de condicionantes que faz com que isto agora seja uma tendência.
Do viajar sozinho e sozinha também. Mas o mundo tem sido hostil para ti? Não. Ou tem?
Já apanhaste alguns sustos?
Já apanhei alguns sustos, é óbvio. Eu conheço as hostilidades e tento ter um jogo de cintura que permita lidar com elas. E é isso que vou dizendo no livro e também no workshop, que é que os nossos medos não nos impeçam de vivermos as coisas, porque coisas acontecem durante as viagens.
Pode ser à porta de casa.
Algumas são boas, algumas são más. E exactamente como eu costumo dizer, os sítios onde fui assaltada foi sempre na minha cidade, tirando uma vez. Exatamente. E por isso, o mesmo tipo de segurança que nós temos perto de nossa casa, com as nossas coisas, e muitas vezes temos que analisar o destino para onde vamos e não vamos andar com coisas de marca na rua, por exemplo, ou relógios caros, ter cuidado com o telemóvel. Esse tipo de coisas que nós temos que ter em atenção, mas que não nos impeça de desfrutar da viagem. Isso é muito importante.
Muito bem, desfrutar sempre da viagem. Olha, vamos falar do teu percurso enquanto viajante. Já foste a 75 países. Como é que começaste a viajar, Susana Ribeiro?
Olha, eu posso dizer que sou uma viajante tardia. Não posso dizer que seja uma coisa de família. Ainda há pouco tempo estava a apresentar o livro e perguntaram isso à minha mãe, e ela disse: "Não, mas ela sempre teve muita vontade de viajar pelo mundo".
Eras aquela criança que alimentava o sonho de conhecer o mundo a olhar para mapas?
Eu era a que inventava as histórias de um mundo que não conhecia com os meus próprios olhos.
Eu tenho ainda uma máquina de escrever que me deram quando eu tinha cerca de oito anos, porque eu tinha uma daquelas caixas registadoras de lojinha de supermercado, para as meninas brincarem, que nos davam. E eu fingia que a máquina registadora era uma máquina de escrever, por isso com oito anos deram-me logo uma máquina de escrever séria.
E eu ainda a mantenho.
E, portanto, eu sempre gostei muito de contar histórias que aconteciam até no dia a dia, no autocarro, a ir pra faculdade, coisas assim. Mas só quando tive a minha independência econômica, eu sei que muita gente que nos está a ouvir percebe isto, é que comecei mesmo a viajar. Por sorte, foi na altura em que as low cost começaram a chegar aqui ao Porto e por isso ajudou-me muito a desbravar as primeiras viagens, as primeiras viagens a solo, a preços mais módicos e depois fui aumentando essa periodicidade das viagens também.
Pois, e começaste por te lançar pra onde? Europa, foi?
Sim, Europa foi França, Espanha. Lembro-me que ainda não tinha visitado, por exemplo, Madrid e Barcelona, e fiquei encantada. Desde então já viajei mais vezes para lá nos últimos 30 anos, porque gosto muito. Depois também, como comecei e estava a ser jornalista já de viagens e muitas vezes era convidada pelos turismos oficiais para visitar os locais e ainda continua a acontecer. Este ano, por exemplo, fui convidada pelo turismo da Jamaica.
Foi uma sorte que se construiu, mas eu sinto-me privilegiada, de facto. E eu lembro-me, por exemplo, o turismo de França, que na altura até tinha representantes aqui em Portugal, agora tem na Península Ibérica, porque o nosso mercado é pequeno. Chegou a convidar-me e uma vez aconteceu uma coisa engraçada.




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