A física está disposta a quebrar as regras que limitam as mulheres a ocuparem os espaços que quiserem, incluindo os ambientes científicos
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Integrante da Academia Brasileira de Ciências, da Academia Mundial de Ciências, do Conselho Internacional de Ciência e da Sociedade Americana de Física, Márcia Barbosa é uma das maiores referências do mundo nos estudos de anomalias da água e dessalinização de água do mar.
Em 2024, ela assumiu o cargo de reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde também é professora.
Em 2020, foi eleita pela ONU Mulheres uma das sete cientistas que estão mudando o planeta.
Em 2009, recebeu a Medalha Nicholson da Sociedade Americana de Física por liderar a 1ª Conferência Internacional sobre Mulheres na Física, o que culminou em mais direitos e visibilidade para as mulheres na área.
É preciso fôlego para acompanhá-la.
Desde que assumiu a reitoria da UFRGS, Márcia tem apostado em políticas de acolhimento, equidade de gênero e em uma comunicação mais transparente. No entanto, muita gente se incomoda com ela.
As críticas às suas publicações nas redes sociais são tão violentas que diversos órgãos científicos do país saíram em sua defesa nos últimos meses.
“Os ataques desferidos contra sua imagem, especialmente após assumir a reitoria da UFRGS, revelam uma tentativa de silenciar lideranças femininas que ocupam espaços de poder historicamente masculinizados”, publicou a Sociedade Brasileira de Física. Conversamos com ela:
Estudei em uma escola pública em Canoas (RS), em que o diretor tirava água de pedra. Quando faltava professor, ele chamava meu irmão e eu para dar aula do que fosse, porque éramos excelentes alunos.
Imagina: deixar uma menina de 15 anos tomar conta de uma turma inteira, inclusive no noturno, com alunos adultos!
Até que o diretor me convidou para ajudar a montar um laboratório com umas coisas que ele ganhou. Era bastante trabalho, mas, quando dava certo, era aquela animação!
Lembro de um dia em que um professor sugeriu fazer um forno elétrico com tijolos e uma resistência elétrica para gerar cristal.
Quando coloquei a resistência na tomada, o disjuntor do colégio caiu. Mas não fiquei com medo. Desliguei, liguei de novo e achei a solução.
Essa mistura de ter uma ideia, que é o que eu chamo de talento, de trabalhar — porque tudo tem trabalho (não existe essa história furada de coach de que basta mentalizar) — e de tu te animares é o que eu queria na minha vida.
É o que eu chamo de tesão, que explode quando tu descobres que descobriste algo, que conseguiste fazer e resolver.
Nisso, identifiquei que a Física tinha perguntas concretas. Conforme se avança, os problemas ficam mais difíceis. Tu nem sabes se têm solução, porque são problemas novos. Quando se consegue resolver, é uma vitória.
Todos esses sentimentos — ter uma ideia, trabalhar nela e resolvê-la — geram uma grande felicidade. A minha vida é movida a esses desafios.
Muitas pessoas passam pela vida e, por autoproteção ou por outras razões, não enxergam o que está em volta.
Eu cresci em uma vila militar durante a ditadura.


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