Brasil tem 954 mil investidores em BDRs de ações; papel da SpaceX foi primeiro a ser lançado na mesma data do IPO
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19.jul.2026 às 23h00
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Guilherme W. Almeida
No dia da oferta de ações da SpaceX ao mercado, o BDR (recibo depositário de ações, na sigla em inglês) da empresa movimentou R$ 145 milhões em negociações na Bolsa brasileira.
Pela primeira vez, esse produto financeiro —investimento indireto em ações de empresas estrangeiras— foi lançado na mesma data do IPO (oferta pública de ações, na sigla em inglês). O valor movimentado logo na estreia ficou acima da média diária dos dez BDRs mais negociados no último ano, segundo a B3.
A perspectiva, segundo a economista Bianca Maria, gerente de produtos de equities da B3, é que seja cada vez mais comum a emissão de BDRs atrelada a novas listagens de empresas no mercado internacional. "O caso da SpaceX mostrou que o investidor brasileiro pode acessar grandes eventos do mercado internacional praticamente de forma simultânea", afirma.
Até 2020, o investimento em BDR era possível somente para investidores qualificados —quem tem mais de R$ 1 milhão em aplicações ou possui certificação técnica reconhecida pelo mercado.
Seis anos após a abertura desse produto ao varejo, há 954 mil investidores em BDRs de ações e 57 mil em BDRs de ETFs (sigla em inglês para os fundos de índice). Nos dois casos, a quantidade de pessoas físicas ultrapassa os 98%.
No entanto, o investimento em ativos estrangeiros ainda é baixo no Brasil, afirma Rodrigo Aloi, head de pesquisa e estratégia da HMC Capital. "Quando se compara com o comportamento do investidor chileno ou americano, o brasileiro tem um viés por preferir ativos brasileiros em detrimento dos ativos globais."
Segundo ele, 95% a 98% do patrimônio investido pelos brasileiros está em ativos domésticos.
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Para Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, essa preferência se deve a uma falsa sensação de controle. Investir, de forma direta ou indireta, em ativos de fora, em especial os ligados à Bolsa americana, é, de acordo com ele, uma forma de proteger o patrimônio de instabilidades internas.
"A Bolsa do Brasil é pequena, então casos como o da fraude da Americanas ou do Banco Master acabam influenciando o mercado todo. No mercado americano, é muito mais difícil haver alguma queda estrutural relacionada a esse tipo de problema", diz.
Investimentos internacionais podem ser feitos de forma direta, por meio de contas no exterior, ou indireta, por meio da compra de ativos estrangeiros na Bolsa brasileira.
Especialistas recomendam a segunda opção para quem deseja diversificar a carteira sem precisar comprar moeda estrangeira e, com isso, pagar IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) no momento da remessa e do retorno do dinheiro.
No entanto, aplicar em ativos atrelados ao dólar, afirma Praça, é difícil para quem tem perfil mais conservador: "Tem gente que não consegue ver o dinheiro cair." O BDR da SpaceX (SPCX34), por exemplo, teve queda de 23% neste mês, acompanhando a ação da empresa.



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