Estimativa feito pelo Monitor do Debate Político - USP/Cebrap e em parceria com a organização More in Common aponta aglomeração menor do que a registrada no feriado do ano passado, quando 42,2 mil pessoas foram à Paulista e outras 42,7 mil se reuniram em Copa…
Role, Da BBC News Brasil em São PauloPublished 7 setembro 2026Tempo de leitura: 7 min"Eu já estava propenso a vir, mas essa última semana me fez estar aqui na Avenida Paulista hoje". A fala do empresário paulista Luciano Romão, de 55 anos, resume o clima da manifestação convocada pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) neste feriado de 7 de Setembro.
A última semana a que Romão se refere começou no dia 1º de setembro, quando foram reveladas, por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), as mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Os diálogos revelam uma série de interações de Vorcaro com um contato dele salvo com o nome de Alexandre de Moraes e mostram trocas de informações sobre a Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes envolvendo o Banco Master, e sobre o contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo.
A decisão de Mendonça abriu uma crise considerada sem precedentes no STF, levando Moraes a incluir o colega no chamado inquérito das fake news — retirado posteriormente pelo presidente da corte, ministro Edson Fachin.
"Quando você vê o André Mendonça, lutando pelo que é certo, tentar ser tirado como o errado, e o outro se fazer de vítima da vez depois de assinar contrato com Vorcaro, aí você olha e realmente perde o sentido", argumentou Romão, presente pela segunda vez para um ato na Paulista.
Na primeira, ainda havia a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje preso por tentativa de golpe de Estado.
Os apoiadores de Flávio Bolsonaro chegaram à Avenida Paulista, coração de São Paulo, durante o início da tarde. Por volta das 15h, várias lideranças do bolsonarismo já faziam discursos contra Moraes e o STF e a favor de Mendonça. Entre os presentes estavam o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o pastor Silas Malafaia.
Apesar do impulso da crise no STF, o protesto reuniu 28,5 mil pessoas no seu auge, segundo levantamento do Monitor do Debate Político - USP/Cebrap e em parceria com a organização More in Common.
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O grupo tem calculado o volume de manifestantes em protestos empregando um método que usa um drone tirando fotos aéreas da multidão. Um software analisa essas imagens para identificar e marcar automaticamente as cabeças das pessoas. Usando inteligência artificial, o sistema localiza cada indivíduo e conta quantos pontos aparecem na imagem.
No ato de 7 de setembro de 2025, o monitor estimou 42,2 mil pessoas na Paulista e 42,7 mil em Copacabana, no Rio de Janeiro. Em 2024, estiveram 45,4 mil pessoas na Paulista. Portanto, o ato de 2026 foi considerado menor.
Nas ruas, manifestantes usavam verde a amarelo e adesivos de candidatos da direita enquanto ouviam os discursos no palco montado em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp).
O Dia da Independência do Brasil teve santinhos, bandeiras de candidatos da direita e jingles de diversos gêneros, de brega funk a pagodão. Mas as bandeiras dos EUA e Israel, já parte da iconografia dos atos da direita, também eram vistas em meio ao verde e amarelo, junto a um boneco inflável gigante do presidente americano Donald Trump.
A Avenida Paulista foi reservada pelo PL ainda em agosto. Na época, o partido e Flávio Bolsonaro convocaram nas redes sociais o ato com o lema "Vamos juntos resgatar o Brasil".
Críticas a Moraes sempre estiveram presente em atos do bolsonarismo, já que o ministro foi o relator do processo que levou Bolsonaro à prisão por tentativa de golpe.
Mas foi apenas após a divulgação das mensagens de Vorcaro, em 1º de setembro, que a pauta "Fora Moraes" foi ganhando centralidade na manifestação.
A aposentada Vera Saraiva, de 64 anos, relatou que o teor das conversas de Moraes com Vorcaro é um "escândalo sem precedentes".
"Isso aqui não é casa da Maria Joana que eles fazem o que eles querem. Eles são o Supremo, eles têm que seguir a Constituição e não estão seguindo. Tem que ser feita uma limpa no STF, porque eles se acham os donos do Brasil", criticou.
Perguntada sobre o que ela achava da relação de Vorcaro com Flávio Bolsonaro, que pediu ao banqueiro milhões para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, Vera disse não achar que o senador fez nada errado.




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