Paloma Gomes fala sobre carreira, espiritualidade, sonhos e os desafios de viver da arte em entrevista exclusiva ao iG
Vi a página do Instagram da atriz Paloma Gomes e encontrei coisas incríveis sobre sua interpretação e filosofia. Então, pensei que meus leitores e leitoras iriam gostar de uma entrevista com ela.
Eu me surpreendi com a sinceridade e a maturidade de seus pensamentos, além de sua coragem de falar tudo o que pensa e acredita.
Bom entretenimento a todos!
A força de um sonho, para mim, é igual à potência de uma força da natureza.
O sonho vai te “incomodar” até você atender ao chamado.
E, para mim, viver como atriz é o meu sonho desde que eu tenho 5 anos. Minha mãe perguntava o que eu queria ser, e eu falava: “Atriz”.
Durante muitos anos, minha vida seguiu caminhos opostos ao da atuação, considerando a realidade que vivemos, e nisso eu adoeci, perdi a vontade de viver e brilhar por aí. Eu perdi minha força interior.
Até que eu entendi que precisava assumir o risco de se ter um sonho, a responsabilidade de passar pela jornada do herói e virar a minha versão mais realizada.
Para mim, atuar nunca foi uma opção, mas sim um chamado, um propósito de vida. Está na minha essência.
Depois de ter a certeza de que sou atriz e diariamente fazer essa escolha para mim, vejo a vida como uma oportunidade e uma escola.
O ator estuda o ser humano e, consequentemente, a vida. Logo, encaramos as piores sombras humanas de frente. E, por isso, eu adoro aquela frase da Nise da Silveira, psiquiatra brasileira pioneira no uso da arte como instrumento terapêutico: “Os artistas e os loucos mergulham nas mesmas águas, mas os artistas voltam”.
Os artistas, no caso, o s atores em específico, conseguem encarar as maiores sombras humanas, se aprofundar na versão mais feia e primitiva do ser humano e voltar de lá trazendo algo belo. E, por isso, vejo muito Deus na arte. A transcendência do belo é divina.
Como atriz, depois de muito estudo, cheguei à conclusão de que a vida é feita para nos ensinar a lidar conosco mesmos, por meio do amor ao próximo.
Como estou no começo da minha carreira, talvez eu ainda deixe a desejar nessa resposta. Mas, olhando com respeito para os papéis que tive até hoje, afirmo que cada um me realizou no momento em que os vivi.
Para mim, cada personagem carrega uma missão de busca interna para o próprio ator. Então, acredito que não exista um único papel capaz de sanar minha sede de mais. Até porque a natureza do artista é transcrever a vida, e, na vida, sempre tem um amanhã.
Não acredito que haja espaço suficiente no mundo para elaborarmos tal resposta. Mas, brevemente, para agora, acredito que, no Brasil, principalmente, a falta de apoio à nossa cultura geracional interfere muito na sanidade de um artista e em sua vida profissional.
Como uma jovem adulta de 24 anos que sempre soube que queria ser atriz, mas teve que encarar a realidade da vida, eu sempre tive que correr atrás de tudo sozinha. Claro que meus pais me auxiliaram no que puderam, mas não possuíam informação e conhecimento suficientes sobre o tema para me auxiliarem na minha dor pessoal de viver em angústia constante pela ideia de não ser suficiente e pela ilusão de estar à mercê de uma oportunidade. Como se a vida só fosse começar para mim depois de alguém me notar (e, claro, não acontece assim).
Mas, nas escolas, somos treinados e direcionados ao meio comum do Enem e do vestibular, e posso afirmar que, para um artista, é necessário muito mais do que esse caminho convencional já petrificado.
Sem o incentivo à mudança de mentalidade sociocultural, a arte sempre será vista como algo marginalizado, idealizado e sem garantia de sucesso.
Então, a falta de confiança de que era possível ser uma atriz bem-sucedida e realizada é o que mais me atrapalhou, na verdade, já que somos feitos de crenças e noções pessoais.




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