O BC ( Banco Central ) realizou na manhã desta quinta-feira (27) duas operações simultâneas de compra e venda de dólares para injetar liquidez no mercado cambial. Leia mais (08/27/2026 - 23h00)

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27.ago.2026 às 23h00

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Tamara Nassif Matheus dos Santos

O BC (Banco Central) realizou na manhã desta quinta-feira (27) duas operações simultâneas de compra e venda de dólares para injetar liquidez no mercado cambial.

De um lado, a autarquia vendeu US$ 1 bilhão em moeda à vista. De outro, fez um leilão de 20 mil contratos no valor de US$ 1 bilhão de swap cambial reverso, uma operação cujo efeito equivale à compra de dólares no mercado futuro. O efeito do chamado "casadão" sobre a cotação da divisa é nulo, já que, em tese, o BC vendeu e comprou o mesmo montante nas duas pontas.

O movimento é mais uma intervenção do BC no mercado —a última operação deste tipo foi em 22 de junho, também no valor de US$ 1 bilhão. Operadores de câmbio ouvidos pela Folha afirmam que os leilões desta quinta podem ter sido impulsionados pelo fluxo cambial de agosto.

Segundo dados do BC, divulgados na quarta-feira (26), o saldo está negativo em US$ 2,55 bilhões do começo do mês até a última sexta-feira (21). Só na semana passada, a saída líquida foi de US$ 4,055 bilhões.

Eles lembram que a autoridade monetária só interfere nas operações quando há disfuncionalidades de oferta e demanda, e não para empurrar a cotação do dólar para cima ou para baixo. No caso, a leitura é de que a demanda por dólares está assimétrica, diz Leonel de Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX.

"A premissa é que enfrentamos saídas financeiras pesadas na sessão desta quinta e por isso houve necessidade de realizar a operação", afirma.

O BC tem mecanismos de monitoramento que conseguem antever alguma demanda atípica por dólares, para agir preventivamente e evitar grandes disfuncionalidades.

Além disso, afirma Mattos, o BC tem atuado para reduzir sua posição no mercado liquidando parte do estoque de "swaps". Esse tipo de contrato deixa a autarquia "vendida" em dólar e equivale, na prática, a uma venda futura de dólares.

Quando o BC executa o swap cambial reverso no "casadão", é como se a autarquia estivesse anulando um contrato com outro.

"A interpretação é que o BC poderia estar preocupado com uma perda de eficiência de futuras intervenções cambiais por conta do elevado estoque de swaps", diz Mattos.

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Se, por um lado, o BC atua corrigindo distorções de oferta e demanda por meio dos leilões, por outro a saída de recursos do país pode se dar por uma correção técnica.

Até agora, agosto está caminhando para ser o pior mês de 2026 para a Bolsa em termos de fluxo. Segundo dados da B3 até terça-feira (25), o saldo de investidores estrangeiros está negativo em R$ 20 bilhões. No acumulado do ano, a cifra ainda é positiva, em R$ 21 bilhões.

A debandada vai na contramão do movimento observado no início do ano. Em janeiro, o volume de recursos estrangeiros que entrou na Bolsa foi de R$ 26,5 bilhões —valor semelhante ao registrado em todo 2025. O forte apetite por ações brasileiras fez o índice Ibovespa rondar os 200 mil pontos e ajudou o dólar a chegar aos menores patamares desde 2024.