O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) teve um bloqueio de R$ 300 milhões, o equivalente a 15% de seu orçamento para este ano. A medida poderá afetar aproximadamente 80% dos 102 mil bolsistas da fundação nos próximos meses. Leia mais (06/20/2026 - 04h00)

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O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) teve um bloqueio de R$ 300 milhões, o equivalente a 15% de seu orçamento para este ano. A medida poderá afetar aproximadamente 80% dos 102 mil bolsistas da fundação nos próximos meses.

O bloqueio foi confirmado à Folha pelo presidente do CNPq, Olival Freire Junior. Se ele não for revertido, deverão ser afetados os pesquisadores que recebem bolsas oriundas do orçamento do conselho. Esse é o caso da maioria dos bolsistas, uma vez que somente cerca de 20% recebem valores provenientes de outras fontes, como convênios e FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

Vinculada ao MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), a fundação disse que tomou conhecimento da medida no último dia 10 e ainda não há previsão para retomada da verba.

"O impacto é grande para o CNPq", afirmou à reportagem Olival, na quinta-feira (18). Segundo ele, existe a promessa do governo Lula (PT) de recomposição do valor.

Em torno de 95% do valor em questão incide sobre bolsas, o que representaria o pagamento de cerca de dois meses de bolsas para pesquisadores, segundo Olival.

De acordo ele, assim que o bloqueio foi determinado, a ministra da Ciência, Luciana Santos, entrou em contato com o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.

"Então a nossa tranquilidade vem do compromisso assumido pela ministra Luciana Santos e pelo ministro Bruno Moretti", afirmou Olival.

Atualmente, o CNPq fornece recursos para 102 mil bolsistas. O orçamento do conselho para 2026 é de cerca de R$ 1,9 bilhão, valor alcançado após uma recomposição orçamentária em janeiro deste ano.

Nesta sexta-feira, a Folha entrou em contato, por email, com o MCTI e com o Ministério do Planejamento e Orçamento. Até a publicação desta reportagem, o MCTI não havia respondido.

Em nota, o Ministério do Planejamento e Orçamento afirmou que o bloqueio total neste ano precisou ser elevado para R$ 23,7 bilhões, para cumprir o limite anual de despesas previstas pelo novo regime fiscal. O crescimento do bloqueio de despesas discricionárias —aquelas sujeitas a avaliação— ocorreu devido ao um aumento nas despesas obrigatórias projetadas.

"Sempre que possível, foi observada a proporcionalidade entre bloqueios e volume de despesa de discricionária em cada um desses ministérios e órgãos [afetados pelo bloqueio]", declarou a pasta.

Além do bloqueio em questão, o CNPq afirmou que, neste mês, ocorreu uma inconsistência no processamento de recursos provenientes de um parceiro externo. Isso levou a atrasos nos pagamentos de bolsistas.

A maior parte desses pagamentos foi regularizada, segundo o conselho, na quinta-feira (18). Os valores costumam ser pagos até o quinto dia útil de cada mês. Restam ainda em aberto o pagamento de 103 bolsas.

Ainda segundo o CNPq, a maioria dos pagamentos de bolsas é feita por meio de recursos da própria fundação e outros 24% a partir de recursos de parceiros externos, fatia na qual ocorreu o problema.