Em meio ao recuo nos preços do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries de longo prazo, as bolsas americanas operam sem direção única nesta segunda-feira. Os índices sofrem pressão de um ajuste de posições no setor de tecnologia, com a retomada dos receios s…

As bolsas de Nova York têm sinal misto, apoiadas de um lado pela queda nos preços do petróleo e nos rendimentos dos Treasuries, enquanto o setor de tecnologia segue pressionado. Após a turbulência da semana passada, os juros dos títulos americanos recuam diante da expectativa de que o Tesouro adote novas medidas para conter a alta dos rendimentos. No cenário geopolítico, investidores aguardam detalhes sobre novas sanções dos Estados Unidos ao Irã, que devem ser anunciadas nesta tarde.

Por volta das 13h, o índice Dow Jones subia 0,38%, aos 53.480,35 pontos; o S&P 500 cedia 0,11%, aos 7.665,44 pontos; e o Nasdaq Composto tinha queda de 0,40%, aos 26.074,789 pontos. A Micron Technology caía 6,25% e se destacava, em meio a perdas nas ações de fabricantes de semicondutores.

Nos mercados de Treasuries, o rendimento da T-note de 10 anos cedia a 4,701%, de 4,736% no fechamento anterior, enquanto na ponta longa o da T-bond de 30 anos recuava de 5,275% a 5,228%. A notícia de que o Tesouro poderia utilizar sua conta geral para ajudar a financiar os planos de aumentar as compras de títulos públicos.

Na semana passada, o Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou planos para, no mínimo, dobrar as compras de títulos de longo prazo realizadas pelo Departamento do Tesouro, mas o impacto da medida foi limitado.

“Os mercados de títulos permanecem vulneráveis, dado que os preços do petróleo continuam elevados e as preocupações fiscais estão aumentando”, dizem os estrategistas do Commerzbank, em nota. Os dados de inflação dos Estados Unidos desta semana e as sinalizações vindas de Jackson Hole prometem ser interessantes, pontuam.

Os estrategistas do Citi afirmam, em nota, que o evento de maior destaque da semana é o simpósio de Jackson Hole, na sexta-feira. “O primeiro grande discurso de Kevin Warsh como presidente do Fed será analisado minuciosamente em busca de qualquer sinal sobre a resposta do banco central à inflação persistente e à pressão sobre os rendimentos dos títulos de longo prazo.”

Os participantes do mercado, provavelmente, acompanharão seu discurso com atenção especial, já que Warsh simplificou significativamente a comunicação do Fed com os mercados financeiros recentemente e reduziu as referências habituais à possível trajetória futura das taxas de juros dos Estados Unidos, diz o Berenberg.

Já o dólar americano permanece em destaque, principalmente devido à tensa situação orçamentária nos Estados Unidos, afirma o banco alemão. O Berenberg pontua que a dívida nacional dos Estados Unidos atingiu um novo recorde de mais de US$ 40 trilhões e, somente nos últimos doze meses, a dívida bruta do governo federal aumentou em cerca de US$ 3 trilhões, o maior aumento fora do período da pandemia.

No mercado de commodities, o petróleo Brent para entrega em outubro caía 2,10% a US$ 92,41 por barril, e o WTI para o mesmo mês cedia 2,60% a US$ 84,80, após duas semanas de ganhos, enquanto investidores aguardam detalhes sobre as sanções esperadas dos Estados Unidos contra o Irã, em coletiva de imprensa de Bessent. O petróleo subiu mais de 50% este ano. Já o ouro para outubro sobe 0,80%, a 4.682,3 por onça-troy, com maior demanda por ativos seguros.