Iniciativa Parceiros pelo Multilateralismo (P4M), que reúne ainda Canadá e Quênia, alerta contra fragmentação política e polarização global, ao mesmo tempo em que busca formar coalizões para apoiar reformas na ONU.

https://p.dw.com/p/5MzGqAnúncioBrasil, União Europeia (UE), Canadá e Quênia anunciaram neste domingo (21/09) a criação de uma iniciativa conjunta em defesa do multilateralismo.

O manifesto alerta para a fragmentação política e a polarização global, destacando, por exemplo, o recorde de gastos militares em todo o mundo, que atingiram a marca de 2,9 trilhões de dólares (R$ 17 trilhões). O documento ressalta ainda que, somente em 2025, foram registrados 65 conflitos armados entre Estados, sendo este o maior número desde 1946, com o fim da Segunda Guerra Mundial.

Os integrantes da P4M visam "oferecer uma estrutura flexível e aberta a países de diferentes regiões e tradições políticas que estejam dispostos a atuar para além de suas diferenças, formar coalizões em favor de reformas e transformar princípios compartilhados em ações concretas".

"O direito internacional está sob pressão. A linguagem das esferas de influência e da política de poder está de volta. As relações econômicas são cada vez mais utilizadas como instrumentos de pressão e coerção, enquanto a desigualdade aumenta, tanto dentro dos países quanto entre eles", diz a declaração.

"Alguns podem concluir, portanto, que o sistema multilateral fracassou. Em parte, essa crítica é compreensível [...]. Mas a necessidade de cooperação multilateral segue plenamente viva. O mundo do pós-guerra há muito ficou para trás, mas a lógica fundamental que justificou a cooperação multilateral é mais evidente do que nunca."

"A P4M apoiará a reforma das Nações Unidas e de outras instituições multilaterais, para torná-las mais representativas, legítimas, eficazes e confiáveis", diz a iniciativa.

António Costa disse que a iniciativa "visa ser uma plataforma aberta para parceiros de todas as partes do mundo que estejam prontos para defender princípios comuns e trabalhar em prol de soluções práticas".

"Trata-se de uma rede para diálogo, formação de coalizões e cooperação prática. A iniciativa apoiará o trabalho das Nações Unidas e de outros formatos multilaterais, ajudará a construir pontes entre regiões e contribuirá para o avanço da reforma e da modernização das instituições multilaterais, ajudando a transformar compromissos compartilhados em ações concretas", afirmou em nota o presidente do Conselho Europeu.

As reformas estruturais na ONU estão paralisadas há anos devido ao poder de veto dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, que deixam o órgão incapaz de agir diante de conflitos globais.

Ao mesmo tempo, fóruns internacionais como o G20 se tornaram cada vez mais fragmentados após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

O presidente Lula chegou a Nova York neste domingo. Na terça-feira, ele fará o tradicional discurso de abertura da Assembleia Geral na ONU, no evento que reúne lideranças globais na sede da entidade, em Nova York.