Nos quadros de resumo das partidas, sempre aparece o "% de posse de bola" de cada seleção. Pode dar a impressão de que quanto maior o número, melhor o time jogou. Mas isso está longe de ser verdade. E o Brasil pode até se beneficiar dessa realidade. Leia mais (06/20/2026 - 16h58)

Fabio Takahashi trabalhou na Folha por 18 anos, como repórter e editor do DeltaFolha. É gerente de dados da Loft e editor do site Portas. Daniel Mariani é jornalista de dados e cobre sua terceira Copa do Mundo

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20.jun.2026 às 16h58

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Fábio Takahashi Nos quadros de resumo das partidas, sempre aparece o "% de posse de bola" de cada seleção. Pode dar a impressão de que quanto maior o número, melhor o time jogou. Mas isso está longe de ser verdade. E o Brasil pode até se beneficiar dessa realidade.

Entre as dez seleções com mais chances de título segundo o modelo da Opta (França, Argentina, Espanha, Inglaterra, Alemanha, Brasil, Portugal, Estados Unidos, Noruega e Holanda), o Brasil teve a segunda menor posse de bola na estreia, com 51,4% no empate com Marrocos, à frente só da Argentina (47,8%).

No segundo jogo, diante de um frágil Haiti, a posse subiu para 56,7%. Não é tanto se compararmos, por exemplo, com a Alemanha, que chegou a 64,6% contra Curaçao (83° no ranking da Fifa, próximo ao Haiti, 87°). Os alemães venceram por 7 a 1.

Mas a própria Copa vai relativizando a importância da posse de bola. Portugal teve 75,4% contra a RD Congo e não saiu do empate em 1 a 1. A Espanha, com 74,3% diante de Cabo Verde, nem conseguiu marcar.

Se a Alemanha goleou com posse de bola acima de 60%, a França encantou contra Senegal com apenas 53,4%. Outra que brilhou, a Inglaterra teve 51,7% (mas, justiça seja feita, o adversário era a Croácia, num embate mais difícil de manter uma grande posse).

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A Copa vem confirmando estudos dos últimos anos. Trabalho publicado em 2023 na revista Pedagogy of Physical Culture and Sports, que analisou as 64 partidas da Copa do Qatar, concluiu que finalização certeira e eficiência ofensiva —não posse de bola— foram mais associadas a vitórias. O efeito da posse de bola apareceu, na verdade, como indicador de equipes mal sucedidas (junto com grande número de cruzamentos e escanteios sofridos).

Por que um time escolhe jogar com muita posse de bola? Um dos principais motivos é defensivo. Se controla a bola, há