Atual campeão mundial de Rally-Raid, Lucas Moraes vai disputar o Rally dos Sertões, principal competição off-road do Brasil, e busca o tetracampeonato. Essa será a primeira vez que o Sertões, que começa no dia 22, tem um campeão mundial da modalidade e

Atual campeão mundial de Rally-Raid, Lucas Moraes vai disputar o Rally dos Sertões, principal competição off-road do Brasil, e busca o tetracampeonato. Essa será a primeira vez que o Sertões, que começa no dia 22, tem um campeão mundial da modalidade em seu grid.

Eu cresci vendo o Sertões, é uma prova que é quase um irmão mais novo (risos). É um grande privilégio poder ter essa chance. Agradeço à Dacia [equipe pela qual corre] por me liberar para usar as minhas férias de verão na Europa para poder correr o Sertões. Estou bem feliz Lucas Moraes

Lucas corre no circuito mundial, que tem cinco etapas e inicia no famoso Rally Dakar — passa ainda por Portugal, Argentina, Marrocos e Abu Dhabi. Ele integra a The Dacia Sandriders. "O Sertões acontece justamente no que chamamos de summer break, de meados de junho até final de agosto, quando não temos corridas."

Quando citou o Rally dos Sertões como um "irmão mais novo" foi uma figura de linguagem, mas com um toque de realidade. Marcos Moraes, o MEM, é pai de Lucas e foi, por muitos anos, o organizador da prova, que agora está sob outra gestão.

"Meu pai vai correr o Sertões esse ano, estaremos na mesma equipe. Esse é um dos motivos mais legais de poder correr, ainda mais em um evento em casa. Vai ser bem interessante."

Lucas, inclusive, revela que vem buscando contatos para que o Sertões possa se transformar em uma etapa do circuito mundial.

Acho que chegou em um nível que é totalmente possível, por exemplo, ser uma etapa do Mundial. Inclusive, esse é um trabalho que tenho nutrido, tentado falar cada vez mais com a FIA, com ASO (Amaury Sport Organisation), que promove o Dakar, e acho que esse seria um próximo passo muito interessante para a prova Lucas Moraes

Eles têm curiosidade sobre o Brasil. Com os bons resultados e o título do Mundial, tento, no bom sentido, usar isso para continuar mostrando o tamanho do país, quantas pessoas acompanhando, e os números digitais do Brasil são impressionantes... Eles apontam esse interesse. Quem sabe a gente não consiga integrar o circuito mundial nos próximos anos? Lucas Moraes

Primeira vez de um campeão mundial no grid do Sertões. Acredita que possa "furar a bolha"?

"Seria algo muito grande eu pensar assim, mas espero que sim. Espero que possamos continuar inspirando, trazendo mais gente para assistir lá em Goiânia, para visitar os parques, para conhecer o esporte. Quando um brasileiro ganha destaque e vem disputar um torneio aqui... Temos muitos exemplos do que chamamos 'esporte de clube', o rally não é um deles, que as pessoas saem de casa para praticar, mas esperamos, de certa forma, atingir mais pessoas"

Como atrair mais gente para o rally como modalidade?

"Acredito você tem alguns novos campeonatos acontecendo, em novas categorias, que ajudaram a trazer mais gente. Uma delas é a categoria UTV, que não é com os carros da FIA, como se fosse a Fórmula 4. Isso tem mérito de federações locais, de realizadores, promotores locais, que conseguiram criar esses novos campeonatos.

O outro, que eu acho que é um trabalho que, eventualmente, precisa evoluir, é a questão das transmissões, de ter mais mídia. Com a tecnologia, acho que o próprio rally tem se beneficiado. Você coloca o Starlink no próprio carro, tem gente fazendo isso já, transmitindo ao vivo. Acho que esse acesso do público é interessante. O Sertões, por exemplo, vai ter, se não me engano, mais de 15 carros transmitindo ao vivo as onboards. A pessoa pega o aplicativo e é como se estivesse sentada ao meu lado. Há frentes para avaliar, tem acontecido movimentos que ajudam".

O que o Sertões tem de diferente?

"O Sertões é uma das provas mais técnicas do mundo porque a gente não anda em deserto, são estradas muitas vezes de situações muito difíceis, muito estreitas. Tem tem muita variação de terreno, serra com sobe e desce, chega ao Jalapão e tem muita areia, chão duro. A gestão dos pneus é muito importante É uma prova extremamente técnica que não deixa nada a desejar para as etapas do Mundial. São paisagens incríveis e variação de piso extremamente difícil de ler e a prova. E é uma prova longa, com oito, nove dias de total de competição."

Como avalia o momento do automobilismo brasileiro?

"Acho que estamos em um momento muito especial. Vencemos o Mundial de Rally no ano passado, primeiro brasileiro a vencer um campeonato FIA após o Ayrton... Tivemos profissionais espetaculares neste período, mas acho que tem uma nova leva também com um trabalho incrível. O Gabriel na Fórmula 1, o momento do Rafa [Câmara]. Isso é muito importante.

Sempre comentei que tenho um desejo grande em fazer o rally aparecer, especialmente, em lugares que não aparecia antes, e isso vem através de resultados. E há um trabalho sendo bem feito pela CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) para evoluir, ajudar várias categorias a criar novos talentos".

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