Nesta segunda-feira, dia de Nossa Senhora Aparecida, Lula e Flávio Bolsonaro dedicaram nacos do seu tempo à padroeira do Brasil. Católico, Lula estrelou uma missa na capela do Palácio da Alvorada. Converteu o ato religioso numa espécie de desagravo à s

Nesta segunda-feira, dia de Nossa Senhora Aparecida, Lula e Flávio Bolsonaro dedicaram nacos do seu tempo à padroeira do Brasil. Católico, Lula estrelou uma missa na capela do Palácio da Alvorada. Converteu o ato religioso numa espécie de desagravo à santa que, segundo ele, "é ofendida" pelos que "não querem respeitá-la".

Evangélico, Flávio Bolsonaro compareceu à missa na Catedral Metropolitana de Brasília. Afirmou ter ido ao templo católico para "renovar a fé no Brasil". Dois dias antes, em ato realizado no Rio de Janeiro para celebrar o centenário das Assembleias de Deus do Ministério Madureira, o filho de Bolsonaro declarou que o Brasil vive "uma guerra espiritual". Apresentou-se como líder de um "projeto de Deus para nossa nação". Disse que a vontade do Todo Poderoso "prevalecerá" no segundo turno.

Reza a Constituição que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos". Ou seja: como qualquer brasileiro, candidatos ao Planalto podem escolher a religião que bem entenderem. Mas a mistura de espiritualidade com política é uma encrenca da qual Deus prefere se abster.

O Brasil tem muitos problemas — da corrupção ao desalinho das contas nacionais, da insegurança pública à má qualidade da educação. Mas, numa campanha que sonega aos eleitores o debate sobre programas de governo, os candidatos ao Planalto voltaram a injetar na agenda um problema que o brasileiro não imaginava que tinha: a religião.

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