Petroquímica nega decisão final sobre plano de reestruturação e informa que tratativas seguem em curso
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A petroquímica Braskem ainda não se decidiu sobre a possibilidade de uma recuperação extrajudicial, mas tem intensificado a negociação com credores e avaliado medidas de proteção, afirmou a empresa ao mercado na quinta-feira (20). A Braskem respondeu a questionamentos da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e da Bolsa brasileira, a B3, onde operam suas ações no Brasil.
O questionamento da autarquia e da B3 surgiu após uma notícia publicada pelo jornal O Globo na quarta-feira (19), que afirmava que a Braskem estaria preparando um pedido de recuperação extrajudicial para a próxima semana, com o objetivo de reestruturar uma dívida de US$ 10,3 bilhões (R$ 53,5 bilhões).
O montante faria com que a Braskem figurasse entre as empresas com maiores passivos a serem renegociados, atrás apenas da Raízen, que soma cerca de R$ 75 bilhões.
"As referidas tratativas entre a companhia e seus credores financeiros têm se intensificado e ainda estão em curso e a companhia avalia a adoção de potenciais medidas de proteção contra credores, considerando o prazo de suspensão das execuções e constrições acima indicado. Nesta data, não há uma decisão sobre as condições da reestruturação", afirmou a Braskem em resposta.
A empresa diz seguir interagindo com os credores financeiros e seus assessores, tendo recebido propostas indicativas e não vinculantes de grupos de credores para uma potencial reestruturação, "que incluem eventual capitalização e oneração de ativos em garantia" e que estão sendo avaliadas pela companhia.
Apesar de os resultados do segundo trimestre deste ano estarem mais animadores, com a reversão do prejuízo para lucro de R$ 3,33 bilhões, a petroquímica brasileira passa por turbulências financeiras.
Em junho, a companhia recebeu uma proteção judicial contra credores por 60 dias para a renegociação de dívidas. A proteção foi dada pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, que garantiu a "suspensão de todas as execuções e constrições por credores que tenham sido convidados a participar da mediação instaurada pela companhia".
Ainda nesta semana, na terça-feira (18), a Braskem Idesa, uma joint venture entre a Braskem e o Grupo Idesa, do México, entrou nos EUA com um pedido de Chapter 11 (semelhante à recuperação judicial). O acordo foi feito para abater uma dívida em mais de US$ 920 milhões (R$ 4,78 bilhões).
Para além disso, a agência de ratings Fitch rebaixou o rating de crédito da petroquímica de "C" para "RD", classificação de inadimplência restrita. O motivo, segundo a agência, foi o não cumprimento, por parte da empresa, do pagamento de juros sobre obrigações financeiras —"decisão que reflete seus esforços para preservar a liquidez enquanto negocia uma reestruturação mais ampla da dívida com os credores".
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