Obra inspira crianças a conhecer legado do compositor brasileiro e desperta interesse pela música clássica

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois

Recurso exclusivo para assinantes

assine ou faça login

Antônio Carlos Gomes nasceu em 1836 e, como muitas crianças, adorava acompanhar seu pai no trabalho. Maneco Músico, como diz seu nome, era músico, vivia afinando instrumentos musicais e cantarolando pela casa. Ele dava aulas de música na cidade de Campinas.

Maneco tentou convencer Carlos a arrumar uma profissão que desse mais dinheiro, já que a família vivia no aperto, mas a música falou mais alto e ele acabou se tornando um dos maiores compositores do Brasil, tanto que virou nome de escola e até de praça em sua cidade natal.

Foi o interesse pela música clássica e a curiosidade sobre quem foi esse homem que motivou os jornalistas Francisco Lima Neto, repórter da Folha, e Fabiano Ormaneze a escreverem o livro "Carlos Gomes: O Maestro do Brasil".

"Ele era uma figura distante, muitas pessoas não sabem quem foi ele", diz Lima Neto.

A música clássica, estilo que Carlos Gomes tocava, também não é muito ouvida pelas pessoas. Por isso, contar a história deste personagem pode fazer com que mais gente se interesse por esse tipo de composição, que parece uma coisa chata, mas que pode ser muito legal.

E Carlos Gomes gostava muito mesmo desse gênero desde pequeno. Aos 14 anos, ele já ensinava piano e canto para filhos de fazendeiros da região e, aos 18, compôs uma de suas primeiras obras, chamada "Missa de São Sebastião". Ele acabou se mudando para São Paulo e, depois, para o Rio de Janeiro, onde mostrou sua primeira ópera, chamada "A Noite do Castelo".

Além de seu pai e seu irmão, o imperador dom Pedro 2º também estava na plateia. E ele gostou tanto de ver Carlos Gomes tocar que o ajudou a estudar na Itália, onde morou por 30 anos. Ele só voltou para o Brasil aos 60 anos.

Talvez você conheça alguma música de Carlos Gomes e nem saiba. Ele escreveu uma ópera bem famosa chamada "O Guarani", inspirada em um livro que tem o mesmo nome, do escritor José de Alencar. Tem um trecho dessa música que toca no comecinho do programa Voz do Brasil, que passa toda noite no rádio.

Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de linkCadeado representando um link Copiar link Ícone fechar

"Aquela música só surgiu porque tem aquela pessoa que foi uma criança, um adolescente e depois um adulto que enfrentou uma série de dificuldades", diz Ormaneze. Assim como todas as pessoas, Carlos Gomes enfrentou alguns desafios durante a sua vida, como a morte de sua mãe quando ele tinha apenas oito anos e a falta de dinheiro da família. Ele também precisou enfrentar um problema muito sério: o racismo.

Quando o maestro nasceu, o Brasil ainda era um país escravocrata. A avó paterna dele tinha sido escravizada e seu pai era um homem negro. Já sua mãe tinha origens indígenas. Por causa disso, ele enfrentou muito preconceito tanto no Brasil quanto na Itália.

O músico era retratado nos jornais da Europa um selvagem, com o cabelo todo desgrenhado nas caricaturas e um bigode estranho, usando roupas que pareciam de homens das cavernas. Além de ser negro, ele era brasileiro, o que os europeus consideravam como exótico.

No Brasil, ao longo do tempo, ele passou por um processo chamado de embranquecimento, que é quando uma pessoa negra é retratada como se fosse branca. "Depois da abolição, as pessoas negras ficaram à margem da sociedade, então mesmo quando elas se destacavam muito em alguma coisa, ninguém queria admitir que elas eram negras", diz Lima Neto.