O cão sem pelo do Peru é a primeira raça reconhecida como oriunda do país - ANDINA / Editora Perú Onde hoje se encontra o complexo de Castillo de Huarmey, no litoral norte do Peru, foram encontrados resquícios da relação entre humanos e cães há pelo menos 1.200 anos. Muito além da convivência doméstica, o cão era responsável por guiar espiritualmente as almas na jornada para o além.
No Império Wari, o cão sem pelo peruano, ou um ancestral dele, visto que o conceito de raça é algo muito recente, era um psicopompo (guia espiritual) que chegava a ser enterrado junto com pessoas importantes para ajudar no caminho para o divino.
Os Wari foram uma das mais importantes civilizações pré-colombianas (antes da chegada de Cristóvão Colombo em 1492) dos Andes, sendo responsáveis por influenciar profundamente o desenvolvimento do posterior Império Inca, especialmente em aspectos como a organização administrativa, a malha viária e as técnicas agrícolas.
As evidências do uso dos animais como guias foram encontradas pelos pesquisadores Weronika Tomczyk, Miłosz Giersz, Wiesław Więckowski, Roberto Pimentel Nita e Claire E. Ebert, que analisaram restos mortais de caninos datados de 600 a 1500 d.C..
Publicado no Journal of Anthropological Archaeology, em março de 2026, o estudo indica que o cão foi o único animal doméstico representado de forma clara no cânone artístico Wari, o que sugere um "significado simbólico único" dentro daquela sociedade.
Mesmo caso do México? Para quem assistiu o filme “Viva, a Vida é Uma Festa”, pode ser que o uso de um animal sem pelos para guiar alguém no mundo espiritual seja algo já conhecido. Mas, apesar da semelhança, no filme da Disney o cão que representa a aproximação com o além é da raça Xoloitzcuintli.
As raças possuem a mesma mutação genética e, muito provavelmente, o mesmo ancestral. Mas a história mexicana é mais antiga. Data de 3.500 anos atrás.
Guardiões da Eternidade A equipe de pesquisadores identificou que a inclusão deliberada de cães em contextos de sacrifício e funerais de indivíduos de elite não era aleatória.
"A repetitividade de tais sepultamentos interespecíficos sugere que a relação geral entre cães e pessoas detinha um significado social importante para as elites Wari", afirmam os pesquisadores no relatório.
Entre as descobertas mais impressionantes estão:
A pesquisa destaca que, na ontologia andina, esses animais eram vistos como seres capazes de transitar entre o mundo dos vivos e dos mortos. Como explica o estudo, os cães poderiam se tornar "animais pessoais" metafísicos após a morte, servindo como uma extensão dos laços emocionais ou rituais formados em vida.
O Cão Sem Pelo: criado como um neném Um dos focos da pesquisa foi o icônico Cão Sem Pelo do Peru (ou Viringo), uma raça indígena identificada pelos cientistas através de mutações genéticas que causam a ausência congênita de dentes. Através de análises isotópicas, os pesquisadores Weronika Tomczyk e sua equipe descobriram algo surpreendente: a dieta desses cães quando filhotes era idêntica à das crianças da época.
"Essas semelhanças sugerem que, aos 4-6 meses de idade, esses três cães consumiam dietas comparáveis às das crianças", aponta o estudo. O alto consumo de milho e cuidados especiais indicam que esses animais eram criados como companheiros domésticos próximos, possivelmente valorizados também por propriedades medicinais atribuídas ao calor de sua pele.


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