O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou nesta sexta-feira (4) que o Supremo Tribunal Federal (STF) vive uma “desordem institucional”, em meio às conexões de ministros da Corte com o ex-banqueiro do extinto Banco Master, Daniel V…

O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou nesta sexta-feira (4) que o Supremo Tribunal Federal (STF) vive uma “desordem institucional”, em meio às conexões de ministros da Corte com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master.

“Em relação a essa desordem institucional, isso nunca foi uma rotina no Supremo [Tribunal Federal]. Eu me lembro bem de, como deputado federal, conviver com o Supremo, onde as pessoas ali guardavam 100% a liturgia do cargo, o decoro do cargo, a formalidade das audiências. Então, é este o Supremo que a sociedade brasileira quer”, afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo e ao portal UOL,

O presidenciável do PSD também voltou a defender que o STF derrube, antes das eleições, o sigilo das investigações sobre os casos Master, "Dark Horse" e fraudes do INSS. Segundo Caiado, manter essas informações sob sigilo até depois da votação representaria um risco à democracia, porque o eleitor poderia escolher candidatos sem conhecer eventuais envolvimentos nas investigações.

“Eu venho há mais de três semanas solicitando que o Supremo Tribunal Federal quebre todos os sigilos para que a sociedade tenha conhecimento daquilo que foi levantado em decorrência da vida de qualquer um”, ressaltou.

Em outra entrevista, à revista Veja, Caiado voltou a defender o afastamento do ministro Alexandre de Moraes enquanto são esclarecidas as recentes revelações envolvendo o magistrado. “Faltou decoro, faltou a liturgia do exercício do cargo”, afirmou. Para ele, as mensagens e ligações divulgadas comprometem a autoridade de Moraes e exigem uma reação do próprio STF.

Caiado afirmou que sua crítica não é dirigida à instituição, mas à conduta de seus integrantes. Segundo ele, o Supremo deveria preservar sua credibilidade afastando ministros cuja atuação seja incompatível com o cargo. O candidato também voltou a defender que o Senado analise um processo de impeachment contra Moraes.

Caiado também foi questionado sobre informações envolvendo seu vice, Gilberto Kassab, e doações feitas nas eleições de 2022. Segundo reportagem do UOL, Vorcaro teria afirmado, em uma proposta de delação premiada rejeitada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, que os R$ 5 milhões doados às campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022 teriam sido um pagamento de propina articulado junto a Kassab.

Caiado defendeu a abertura do sigilo das investigações e ressaltou que tanto Kassab quanto Tarcísio já negaram as acusações. “Primeiro lugar, tem que abrir todas as informações, tanto ele quanto o Tarcísio já negaram”, disse.

Reforma do Judiciário

O presidenciável voltou a dizer que pretende fazer uma reforma no Judiciário, caso seja eleito presidente da República. Ele defendeu que a idade mínima para ser ministro do STF passe a ser 60 anos. Ele também propôs uma quarentena de quatro anos antes que os ministros possam voltar a exercer a profissão e de oito anos para que possam ter qualquer pretensão política.

Segundo o ex-governador de Goiás, as mudanças dariam à Corte condições de voltar a ter uma composição com pessoas capazes de promover “uma discussão de altíssimo nível do ponto de vista jurídico, da interpretação da Constituição”.

O candidato do PSD disse que, uma vez eleito, irá indicar quatro mulheres para o Supremo. O próximo mandato presidencial dará direito a quatro vagas na Corte porque quatros dos atuais ocupantes vão completar 75 anos e precisarão se aposentar. Caiado prometeu preenchê-las com mulheres que, segundo ele, “vão resgatar a credibilidade do STF”. As declarações foram dadas em entrevista à revista Veja.

Segundo ele, a decisão foi tomada após “muitos dias” de reflexão. O candidato disse que já tem nomes em mente, mas não pretende antecipá-los antes de conversar com as possíveis indicadas. Como critérios, citou experiência na área jurídica, reputação, ética e reconhecimento no Judiciário. Atualmente apenas uma mulher integra o colegiado, a ministra Carmen Lúcia.

O candidato do PSD procurou se diferenciar do seu adversário ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL), e disse que seu currículo tem “muito a mostrar e nada a esconder”.

Caiado afirmou que o candidato do PL precisa dar explicações detalhadas sobre os recursos recebidos de Vorcaro. “Todo e qualquer candidato tem que ser muito claro naquilo que fez. Explicar em detalhes, porque realmente um repasse de R$ 120 milhões ou R$ 130 milhões não acontece por acaso”, disse.

Sobre o crescimento do candidato à Presidência da República, Augusto Cury (Avante), nas pesquisas de intenção de voto, Caiado afirmou que a população brasileira terá até 4 de outubro, data do primeiro turno, para decidir quem deve enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno.

“Eu tenho certeza que, no decorrer desses próximos 31 dias, eu serei o candidato eleito para o segundo turno e vou bater o Lula no segundo turno, porque só eu tenho condições morais de enfrentar o Lula com exemplo de vida e, ao mesmo tempo, com coragem de enfrentar aquilo que a população deseja”, afirmou.