A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e a insatisfação com a gestão Lula têm levado a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência a apostar em um sentimento "anti-Lula e anti-Supremo" na reta final das eleições. A avaliação interna é de um momento fav…

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e a insatisfação com a gestão Lula têm levado a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência a apostar em um sentimento "anti-Lula e anti-Supremo" na reta final das eleições. A avaliação interna é de um momento favorável para o presidenciável.

Nos bastidores da campanha do candidato do PL, uma leitura é que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta hoje uma rejeição comparável à que o ex-presidente Jair Bolsonaro enfrentou no final da pandemia quando tentou, sem sucesso, ser reeleito.

Na disputa de 2022, grande parte dos eleitores rejeitou o então presidente pelas declarações de desdém e pelas medidas adotadas em relação à vacinação contra covid-19 e em relação ao isolamento. Naquele ano, o Brasil computava quase 700 mil mortos pela doença.

Agora, na interpretação da campanha de Flávio Bolsonaro, Lula teria como ponto fraco e como grande fonte de rejeição o incômodo de muitas famílias com os preços dos alimentos e de outros itens.

A inflação deve fechar em torno de 4,90% ao ano em 2026. O desemprego tem batido taxas mínimas recordes. Mesmo assim, a campanha de Bolsonaro fala em um sentimento de insatisfação que afeta muitas famílias em relação à perda do poder de compra.

Segundo pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (21), 42% dos eleitores avaliam o governo de forma negativa, enquanto 33% fazem uma avaliação positiva. Para 23%, a gestão está regular, enquanto os indecisos somam 2%. Em 21 de setembro de 2022, pesquisa Quaest apontava que Jair Bolsonaro tinha 39% de avaliação negativa, 31% de avaliação positiva e 27% de regular.

Para integrantes da campanha, esse descontentamento com o governo Lula estaria se unindo a outro: a crise no STF.

A sucessão de denúncias contra membros da corte que dominou o noticiário nos últimos dias tem sido visto pela equipe que realiza a campanha de Bolsonaro como fonte duradoura de desgastes para a campanha à reeleição de Lula.

Especialmente porque Lula escolheu não fazer críticas abertas ao principal alvo das denúncias: o ministro do STF Alexandre de Moraes, que teria recebido mais de 50 mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso.

Um entendimento na campanha de Flávio Bolsonaro é que uma eventual vitória dele será, em grande medida, uma vitória dominada pelo sentimento de rejeição. “Quem vai ganhar é o anti-Lula e o anti-STF”, disse um dos membros da equipe à reportagem.

As pesquisas, trakings e monitoramento das redes feitos pela campanha de Bolsonaro apontam estariam mostrando uma curva muito parecida à dos institutos de pesquisa: uma situação de quase empate no primeiro turno e Bolsonaro à frende de Lula no segundo.

A região Nordeste aparece, nas medições e monitoramentos de sua campanha, como a grande mudança destas eleições. Embora a campanha de Bolsonaro veja uma vitória de Lula na região, a avaliação no momento é que a vantagem que o presidente já teve por lá é hoje bem menor.

Em pouco mais de dez dias até o primeiro turno, Flávio Bolsonaro deverá insistir em produzir duas imagens de si mesmo para os eleitores. Uma delas é a de um político mais ponderado, que se diz pronto para o cargo; e outra é a de um político jovem, que anda pelas ruas, entre eleitores, trajando jeans e camiseta — num reforço ao contraste etário com Lula.