Núcleo duro da campanha de Lula avalia que investigação do Dark Horse pode encerrar ciclo de pressão e retomada da agenda propositiva
A campanha do presidente Lula espera que as revelações do Caso Dark Horse encerrem o “inferno astral” que se arrastou pelos últimos 40 dias e deixou o petista exposto aos ataques de seu principal adversário na eleição, o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Nesse período, uma sucessão de crises colocou a campanha de Lula na defensiva. Nessa conta, estão as investigações contra Lulinha, Marcola e a recente crise no STF após vir à tona a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Embora a crise no Supremo não tenha relação direta nem com o governo, nem com Lula, a avaliação interna na campanha é de que o episódio acabou respingando no presidente. Isso porque a imagem do petista é bastante atrelada à do ministro do STF.
Ciente dos estragos, Lula precisou se manifestar publicamente para defender as investigações “doa a quem doer” e tentar afastar qualquer associação política com Moraes. O petista, contudo, ainda não soltou totalmente a mão do ministro do Supremo.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Igor Gadelha A sequência de episódios negativos gerou apreensão, segundo um dos principais coordenadores da campanha à reeleição de Lula. O sinal de alerta veio, sobretudo, das pesquisas eleitorais, que mostraram um avanço de Flávio nas últimas semanas.
Lula durante ato antes das eleições
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Levantamento da Quaest divulgado em 7 de setembro, por exemplo, mostrou Lula e Flávio numericamente empatados em um eventual segundo turno, com 41% cada. A mesma pesquisa apontou que a desaprovação do governo chegou a 50%, ante 43% de aprovação.
Agora porém, o humor começa a mudar no QG petista. Um dos coordenadores do núcleo duro da campanha afirmou à coluna, sob reserva, que há a expectativa de que as investigações envolvendo Flávio no Dark Horse tirem Lula da defensiva e deem novo fôlego ao presidente.
A avaliação leva em conta as investigações da Polícia Federal sobre o uso irregular de emendas parlamentares para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro e a confirmação de que Flávio é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
A leitura é de que, com as atenções voltadas para Flávio e o presidente do STF, Edson Fachin, assumindo a condução da crise na Corte, a campanha de Lula poderá voltar a concentrar esforços nas propostas para um eventual quarto mandato e na comparação entre os governos dele e de Jair Bolsonaro.
Frequência de envio: Diário
Para tentar superar de vez o inferno astral, a direção nacional do PT fez uma reunião de emergência na quinta-feira (10/9) para realinhar estratégias. O diagnóstico foi de que a mudança de conjuntura exige que Lula e a campanha subam o tom sobre alguns temas.
Entre as prioridades estão a defesa de uma reforma política e do Judiciário, com propostas como a ampliação das atribuições do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), além da adoção de mandato para ministros do STF.
Outra conclusão da reunião foi a necessidade de aumentar a presença de Lula nas redes sociais. Segundo integrantes da campanha, o próprio presidente está convencido de que precisa aparecer mais em vídeos e participar de forma mais ativa da comunicação digital.
A reunião ocorreu após uma série de críticas internas à passividade e à desorganização da campanha de Lula. Como mostrou a coluna, lideranças petistas, como o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vinham cobrando mudanças na estratégia eleitoral.




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