O Canadá vai retaliar contra as novas tarifas norte-americanas, impondo direitos aduaneiros sobre o aço, equipamentos eletrónicos e produtos lácteos comprad...
O chefe do Governo canadiano disse que o país não pode aceitar a proposta de acordo comercial apresentada pela administração norte-americana de Donald Trump e evitar as tarifas, garantindo que não cederá e anunciando medidas de retaliação.
Na primeira aparição à imprensa desde o fracasso das negociações comerciais com os Estados Unidos, em Otava, Carney disse que as tarifas canadianas vão visar produtos em setores de atividade como o aço, os laticínios, os eletrodomésticos e a eletrónica, equiparando-se às taxas aduaneiras de 50% que Washington começou a impor hoje sobre cerca de 24.000 milhões de dólares de exportações canadianas.
Carney afirmou que, embora o país "não consiga controlar a tempestade que sopra de Washington", pode "traçar um novo rumo" através da "diversificação" das suas relações comerciais.
O primeiro-ministro canadiano referiu que alertou Trump para a importância crucial do Canadá enquanto fornecedor de energia para os Estados Unidos.
"O Canadá impulsiona o crescimento norte-americano ao fornecer 99% das importações de gás natural, 85% das importações de eletricidade e 60% das importações de petróleo bruto", sublinhou.
Em resposta aos jornalistas, o primeiro-ministro disse que "nas últimas horas" antes do prazo para um entendimento, os Estados Unidos acrescentaram uma série de condições que o Canadá considera "inaceitáveis". Como exemplo, citou exigências em torno do setor automóvel -- que, disse, tornariam a produção canadiana "inviável economicamente a longo prazo" -- e os tentativas de "restringir a capacidade do Canadá de assinar outros acordos comerciais".
Durante o discurso, Carney invocou a soberania canadiana cinco vezes e afirmou que a Administração de Donald Trump tentou minar a independência do país e instrumentalizar a integração económica entre as duas partes.
Para Carney, Otava compreendeu antes de muitos que os Estados Unidos transformariam todas as suas relações comerciais, imporiam uma série de tarifas aos seus aliados mais próximos e instrumentalizariam a integração económica.
Classificando as tarifas iniciadas pelos EUA como "um erro de cálculo" e descrevendo-as como "um novo ataque ao Canadá", Carney afirmou que quando se é atacado é porque há uma guerra. "Não foi uma escolha nossa", vincou.
"Estamos agora mais fortes do que quando os EUA iniciaram esta guerra comercial. Estamos unidos, mais determinados, mais ambiciosos. Com a posição orçamental mais sólida do G7 e uma economia resiliente, o Canadá tem todos os recursos necessários para inverter a situação e prosperar", descreveu Carney, que antes de ser chefe de Governo foi governador do Banco do Canadá de 2008 a 2013.
Washington justificou a nova ronda de tarifas em resposta ao que chamou de "discriminação contínua" e "tratamento desigual" de Otava em relação ao comércio dos EUA.
Os dois países enfrentarem o risco de uma guerra comercial, depois de décadas em que o Canadá construiu um amplo acesso ao mercado norte-americano.
Carney antecipou esta mudança na relação entre os dois países no Fórum Económico Mundial em Davos, em janeiro, quando afirmou que o mundo estava a passar por "uma rutura, não por uma transição". Na altura, defendeu a necessidade de os países fortalecerem as suas economias internamente para reduzirem os riscos perante coerção económica.
[Notícia atualizada às 18h03]
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