Semana importante para dados de atividade no Brasil, com destaques no varejo e serviços. Na terça-feira, teremos a divulgação das vendas no varejo (PMC), se...

Semana importante para dados de atividade no Brasil, com destaques no varejo e serviços. Na terça-feira, teremos a divulgação das vendas no varejo (PMC), seguida na quarta-feira pela Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), que retrata o desempenho do setor de serviços. Na sequência, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR) fornecerá uma visão mais ampla sobre o nível de atividade econômica, ajudando a calibrar as expectativas para o PIB do terceiro trimestre, agora com dados consolidados de setembro.

Outro ponto de atenção será a ata do COPOM, que será divulgada amanhã. Esse documento detalhará as justificativas e argumentos do Banco Central para a recente decisão de elevar a taxa SELIC para 11,25%. No cenário internacional, há diversos indicadores relevantes, como o índice de preços ao produtor (PPI) da China, que apresentou uma deflação próxima de 3% no ano, reforçando as preocupações com a desaceleração da atividade econômica chinesa. O país enfrenta o desafio dos chamados “três Ds”: demografia, com queda populacional; deflação no PPI e inflação próxima de 1% no CPI; e uma elevada dívida pública. Na sexta-feira passada, o governo chinês anunciou um pacote de US$1 trilhão, focado na reciclagem de dívidas das estatais e províncias, sem uma expansão dos gastos públicos em infraestrutura, dado o excesso de capacidade no setor.

Nos Estados Unidos, o “Trump Trade” segue forte, com destaque para o Bitcoin, que ultrapassou US$80.000 em meio a um rali dos ativos, e para o fortalecimento do dólar. Trump já começa a desenhar sua equipe, marcada por um perfil protecionista. Sua administração, que assume em 20 de janeiro, promete um pacote de medidas relacionadas a tarifas e restrições à imigração, com um provável impacto inflacionário.

No Brasil, o Relatório Focus divulgado pela manhã mostra uma alta nas expectativas de inflação. O IPCA projetado para este ano já alcança 4,62%, bem acima da meta, e a expectativa para o próximo ano também subiu, para 4,10%. Para 2026, o IPCA esperado é de 3,65%, e o PIB estabiliza em torno de 3,10% para este ano, com projeções de cerca de 2% nos próximos anos. A expectativa para a SELIC em 2025 e 2026 também está em alta, com a taxa projetada para encerrar este ano em 11,75%, após mais uma alta de 0,50 pontos na próxima reunião.

O cenário para o Banco Central Brasileiro torna-se cada vez mais desafiador, com o câmbio em alta e o dólar futuro próximo de R$5,80, o que pressiona diretamente a inflação. Uma moeda desvalorizada eleva os preços internos, e esse impacto já é visível nas expectativas de mercado. Um pacote de corte de gastos poderia ajudar a reduzir os prêmios de risco e a pressão cambial, mas até o momento não houve anúncio. Há expectativa de que algo possa ser divulgado ainda nesta semana.

Em um contexto de baixa taxa de desemprego, alta nos preços dos alimentos devido à seca, economia em pleno emprego e pressão fiscal, a tendência de alta na inflação reforça a necessidade de juros elevados. Esse cenário é ainda moldado pela agenda econômica de Trump, que impulsiona o dólar e intensifica as pressões inflacionárias no Brasil. Iniciamos a semana acompanhando a possível divulgação de um pacote fiscal pelo governo e novas informações sobre a equipe econômica de Trump, enquanto aguardamos os detalhes da ata do COPOM.