Câncer de intestino: dois em três brasileiros não conhecem o principal exame preventivo

Dois em cada três brasileiros nunca ouviram falar do principal exame para rastrear o câncer de intestino, segundo uma pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center realizada pela Nexus divulgada hoje. A doença também é conhecida como câncer de cólon e reto ou colorretal.

Pesquisa inédita ouviu 2.015 pessoas em todo o país entre 25 e 30 de junho para avaliar o conhecimento sobre o câncer colorretal. O estudo revela que, embora a população reconheça a gravidade dos sintomas, a maioria desconhece os métodos de prevenção. Embora o Inca (Instituto Nacional de Câncer) estime 53.810 novos casos por ano no Brasil (triênio 2026-2028), 75% dos entrevistados afirmaram nunca ter tido contato com um paciente com câncer colorretal. A doença é a mesma que a cantora Preta Gil, que morreu há exatamente um ano, em 20 julho do ano passado, enfrentou durante dois anos.

Exame de Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes é ignorado por 67% dos entrevistados. O teste é um recurso simples e eficaz para descobrir a doença antes dos primeiros sintomas, mas apenas 11% já o realizaram, enquanto 21% conhecem o procedimento, mas nunca o fizeram.

Muitos brasileiros demoram para procurar ajuda médica mesmo diante de sinais graves. Oito em cada dez brasileiros consideram grave a presença de sangue nas fezes ou a alteração no funcionamento do intestino por mais de um mês. Dos entrevistados que já perceberam sangue nas fezes, 40% não buscaram um médico imediatamente e 19% esperaram o sintoma passar.

Um dos achados mais relevantes diz respeito à distância entre reconhecer o risco e agir diante dele. 9% dos entrevistados afirmam já ter notado a presença de sangue nas fezes. Desse grupo, embora 59% tenham buscado atendimento médico imediatamente, uma parcela expressiva de 40% não teve essa reação: 19% não fizeram nada e esperaram o sintoma passar, 10% aguardaram dias ou semanas antes de procurar um médico, 7% recorreram a remédios caseiros ou mudanças na alimentação, 3% foram à farmácia buscar medicação por conta própria e 1% pesquisou na internet antes de buscar orientação profissional.

Homens demonstram ser mais negligentes com a saúde do que as mulheres. Apenas 54% dos homens procuram ajuda médica imediata ao notar sintomas, contra 63% das mulheres, e 76% deles desconhecem o exame preventivo.

Câncer de intestino é o segundo tipo de tumor mais frequente no Brasil.

Doença costuma começar de forma silenciosa a partir de lesões benignas chamadas pólipos. Os principais sintomas incluem sangue nas fezes, alteração no ritmo intestinal por mais de um mês, dor abdominal e perda de peso sem causa.

Apenas 4% dos casos de câncer colorretal têm origem genética. A maioria das ocorrências está ligada ao estilo de vida, como sedentarismo, obesidade, tabagismo, consumo de álcool e alimentação pobre em fibras.

Recomendação médica é iniciar o rastreamento da doença a partir dos 45 anos. A colonoscopia é o principal exame de diagnóstico, pois permite visualizar o intestino e retirar os pólipos antes que virem tumores.

Médicos alertam que a descoberta rápida do tumor aumenta muito as chances de cura. "O diagnóstico precoce está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples", afirma Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center.

Pesquisa reforça a necessidade urgente de campanhas de conscientização no país. Especialistas avaliam que a população precisa adotar uma postura ativa para prevenir a doença, em vez de apenas esperar os sintomas surgirem.

Em maio, o Ministério da Saúde anunciou o FIT (Teste Imunoquímico Fecal) como novo exame de referência no SUS. O protocolo nacional é voltado para homens e mulheres de 50 a 75 anos que não apresentam sintomas da doença.

Novo teste tem sensibilidade de 85% a 92% para identificar alterações no intestino. A estratégia do governo federal busca ampliar o acesso à prevenção para mais de 40 milhões de brasileiros.

FIT detecta pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes por meio de anticorpos específicos. Diferente dos exames antigos, ele é mais preciso e não exige que o paciente faça dietas restritivas ou preparo intestinal antes da coleta.

Paciente realiza a coleta do material em casa e o envia para análise em laboratório. Se for detectado sangue, a pessoa é encaminhada para fazer uma colonoscopia, exame que permite retirar lesões antes que virem câncer.

O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.