Mariana Guerra ressalta que antigos medicamentos tinham índice de sucesso de 5% na perda de peso. Já os atuais chegam a superar 20% | Foto: Fábio Nunes/AT As chamadas “canetas emagrecedoras” deixaram de ser apenas uma novidade e passaram a ocupar lugar de destaque no tratamento da obesidade. Segundo especialistas, os medicamentos já são considerados a primeira opção terapêutica para muitos pacientes, devido à eficácia na perda de peso e aos benefícios que vão além d

As chamadas “canetas emagrecedoras” deixaram de ser apenas uma novidade e passaram a ocupar lugar de destaque no tratamento da obesidade. Segundo especialistas, os medicamentos já são considerados a primeira opção terapêutica para muitos pacientes, devido à eficácia na perda de peso e aos benefícios que vão além da balança, incluindo redução do risco de infarto e AVC.

O diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e diretor do Departamento de Endocrinologia Feminina, Andrologia e Transgeneridade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Alexandre Hohl, afirmou que medicamentos como liraglutida, semaglutida e tirzepatida são extremamente importantes e trazem benefícios significativos quando bem indicados.

“Eles fazem parte da diretriz brasileira para o tratamento farmacológico da obesidade e, hoje, são consideradas a primeira opção de tratamento medicamentoso”.

Ele enfatizou, no entanto, que a obesidade não se trata apenas com remédio. “O tratamento passa por uma melhora da alimentação, da atividade física, em conjunto com profissionais da área da educação física e da nutrição”.

A endocrinologista e delegada da Abeso no Espírito Santo, Mariana Guerra, também afirmou que as canetas – a exemplo da semaglutida e da tirzepatida – são a primeira alternativa de tratamento, não só pela potência, mas também por segurança e por benefícios metabólicos.

“Essas medicações são muito bem toleradas e não trabalham só no hábito alimentar, de comer menos. Elas também têm melhora metabólica”.

Mariana pontuou que drogas mais antigas traziam potência de perda de peso pequenas. “Considerávamos 5% como sucesso. Hoje, as drogas já alcançam acima de 20% de perda de peso”.

A presidente da SBEM regional Espírito Santo, Maria Amélia Sobreira Gomes Julião, frisou que, mais do que estética, as medicações são a primeira escolha porque protegem o coração, reduzem o risco de infarto e AVC e tratam doenças associadas, como a esteatose hepática.

“Antes da era das canetas, o arsenal médico era focado no sistema nervoso central para reduzir a ansiedade e a fome no cérebro ou no próprio trato digestivo, bloqueando a absorção de nutrientes. Embora o tratamento parecesse mais limitado, essas medicações continuam tendo espaço no consultório para perfis específicos de pacientes ou quando o custo das canetas é limitador”.

“Tratar a obesidade não significa apenas emagrecer. Trata-se de uma doença crônica, que exige abordagem ampla. A escolha do medicamento deve ser feita pelo médico, e a decisão depende de fatores como peso e idade do paciente, além da presença de comorbidades como diabetes, hipertensão, alterações do colesterol, esteatose hepática, entre outras”.

“A nova Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade da Abeso classifica os remédios pelo nível de potência. A semaglutida e a tirzepatida são os únicos que são medicações de Alta Potência, proporcionando perda média acima de 10% a 15% do peso corporal – chegando a 20% com a tirzepatida e semaglutida em altas doses”.

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