As canetas para tratar diabetes e obesidade se popularizam como medicamentos eficazes para a redução do peso. A ciência mostra o potencial desses medicamentos para o emagrecimento e outros aspectos da saúde. Também crescem, porém, os achados sobre a importância da mudança de estilo de vida durante o tratamento. Leia mais (09/10/2026 - 15h00)

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10.set.2026 às 15h00

As canetas para tratar diabetes e obesidade se popularizam como medicamentos eficazes para a redução do peso. A ciência mostra o potencial desses medicamentos para o emagrecimento e outros aspectos da saúde. Também crescem, porém, os achados sobre a importância da mudança de estilo de vida durante o tratamento.

Isso se deve, em primeiro lugar, ao fato de a obesidade ser uma doença crônica, assim como outras condições que exigem tratamentos de longo prazo, como hipertensão e o próprio diabetes.

"Quando o tratamento é interrompido, a doença volta a se manifestar. O reganho de peso não significa falta de força de vontade ou pouco empenho do paciente. Na verdade, é uma resposta biológica do organismo, que tenta recuperar o peso perdido", explica o endocrinologista Paulo Rosenbaum, do Einstein Hospital Israelita.

Medicamentos como semaglutida e tirzepatida, princípios ativos de Ozempic e Mounjaro, respectivamente, agem sobre um hormônio chamado GLP-1, responsável pelas sensações de fome e saciedade. Ao frear sua ação, esses fármacos fazem a pessoa querer comer menos, promovendo o emagrecimento. Só que, ao interromper o uso, o organismo volta a ativar mecanismos que favorecem o ganho de peso.

Por isso, esses fármacos não devem ser vistos como solução rápida para emagrecer.

"Muitas pessoas apenas usam o remédio, comem menos porque o apetite diminuiu e emagrecem. Mas, se elas não mudam o padrão alimentar, não praticam atividade física regularmente e não fazem uma mudança comportamental, a tendência é recuperar boa parte do peso quando o medicamento é suspenso", diz Rosenbaum.

Uma revisão sistemática publicada no início de janeiro no BMJ detalha como esse processo ocorre na prática. Os pesquisadores analisaram 37 estudos com mais de 9.300 adultos com sobrepeso ou obesidade. Eles observaram que os participantes recuperaram cerca de 0,4 kg por mês após suspenderem o tratamento.

Os participantes avaliados usavam diferentes classes de medicamentos: desde opções mais antigas, como sibutramina e orlistate, até as terapias mais recentes com liraglutida, semaglutida e tirzepatida. Em média, eles permaneceram 39 semanas em tratamento. Depois da interrupção da medicação, continuaram sendo acompanhados por mais 32 semanas, o que permitiu aos pesquisadores observar o comportamento do peso nesse período.

Quem tratou a obesidade com medicamentos perdeu, em média, 8,3 kg —mais que o dobro da perda observada nos grupos controle. Quando o tratamento terminou, o peso voltou a aumentar gradualmente. No ritmo de 400 gramas a mais por mês, eles retornariam ao peso inicial em aproximadamente um ano e sete meses.

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Outra constatação foi que os benefícios metabólicos conquistados durante o uso das medicações, como melhora da glicemia, colesterol e pressão arterial, também começaram a diminuir após o fim do uso das medicações.

"As mudanças no estilo de vida potencializam a perda de peso e aumentam as chances de manter os resultados no longo prazo", afirma Rosenbaum.

"Os medicamentos são uma ferramenta muito eficaz no tratamento da obesidade, mas fazem parte de uma estratégia mais ampla. Sozinhos, eles não conseguem sustentar a perda de peso por muito tempo."