Operação de resgate contou com mediação internacional e permitiu reencontro de famílias separadas pela guerra

Dmytro não via sua esposa, Larisa, há 1.711 dias. Ele vinha fazendo a contagem.

Esperando perto da fronteira entre a Ucrânia e a Belarus, ele mantinha o olhar inquieto fixo no horizonte, à procura do ônibus que trazia Larisa e outras pessoas que fugiam de Oleshky, uma cidade no sul da Ucrânia que se encontra sob ocupação.

Quando o casal — ambos com 54 anos — finalmente se reencontrou, na tarde de sábado (31) Dmytro não se conteve.

Ele beijou Larisa repetidas vezes e a abraçou com tamanha determinação que parecia que nunca mais a deixaria partir.

Centenas de pessoas — e muitos animais de estimação — retornaram à Ucrânia após serem retirados de uma cidade na linha de frente, sob um cessar-fogo defendido pelo Papa Leão XIV e cuja negociação contou com a ajuda da primeira-dama Melania Trump.

A silhueta fragilizada de Larisa — que perdeu um terço de seu peso corporal durante a ocupação — parecia quase perdida nas mãos de Dmytro.

Mas ela mantinha a cabeça erguida, e seus olhos azuis, profundamente encovados, brilhavam de alegria.

Ao ser questionada sobre como estava, Larisa falou de outras pessoas que ainda estão sofrendo. “É difícil para todos no país; há muitas pessoas na mesma situação que eu. Há pessoas em situações diferentes, e algumas estão em uma situação ainda pior. Estamos esperando que tudo isso acabe, que a paz chegue e que venha a vitória”, disse ela à CNN.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou a chegada dos retirados pelo Telegram, agradecendo a Trump por sua ajuda na mediação.

“E agradeço a todos ao redor do mundo — todos os jornalistas, todos os líderes políticos e cívicos, e todas as pessoas preocupadas — que voltaram a atenção global para a situação em Oleshky e para a verdadeira catástrofe humanitária no território da Ucrânia temporariamente ocupado pela Rússia. Quando o mundo presta atenção, vidas são salvas”, disse ele.

A primeira-dama afirmou no X que “Oleshky prova que podemos elevar a humanidade acima da guerra”.

HOPE FOR SUSTAINABLE PEACE Oleshky proves we can raise humanity above war. Together, we can build a peaceful planet, a world of promise for our children.

— MELANIA TRUMP (@MELANIATRUMP) October 31, 2026

O ombudsman da Ucrânia, Dmytro Lubinets, viajou a Oleshky para acompanhar pessoalmente os retirados, tornando-se a primeira autoridade ucraniana de alto escalão a ir abertamente a áreas ocupadas sob controle russo — e à própria Rússia — desde o início da guerra.

Em declaração à CNN após cruzar a fronteira, Lubinets disse que a operação foi extremamente difícil, mas expressou a esperança de que ela possa servir de inspiração para o futuro.

“Agora temos uma experiência positiva e única de como negociar com o lado russo, contando com o papel de coordenação de Melania Trump”, disse ele.

“Temos muitas vilas semelhantes onde, neste momento, enfrentamos os mesmos problemas com alimentos e medicamentos. Nossa intenção é continuar. Mas isso não depende apenas da Ucrânia”, disse ele à CNN, acrescentando que conversou com a comissária russa para os direitos humanos, Yana Lantratova, em Oleshky, na sexta-feira (30).

O cessar-fogo também criou uma oportunidade para levar outros ucranianos a um local seguro.

No domingo (1°), o Exército ucraniano informou que retirou 167 pessoas de áreas da região de Kherson “que vinham sofrendo bombardeios diários” por parte das forças russas.

Entre os retirados, estavam 22 crianças e 21 pessoas “com mobilidade reduzida, que necessitavam de atenção e assistência especiais”, acrescentou o Exército.