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Em seus primeiros cem dias como CEO da Xbox, Asha Sharma tomou uma série de medidas populares para fortalecer o apoio dos fãs à marca. Entre elas, a redução do preço do serviço por assinatura Xbox Game Pass, a abertura de um canal de comunicação direto com os jogadores, o "Player Voice", e, no último Xbox Showcase, retomou a prática de lançar jogos exclusivos para os consoles Xbox, começando com "Gears of War: E-Day" e "Clockwork Revolution".
No último dia 10, porém, a executiva divulgou um memorando detalhando a difícil situação econômica da divisão de games da Microsoft. Citou os desafios impostos pelo atual momento do mercado, com a pulverização da atenção dos consumidores em diversas plataformas e o rápido aumento do custo de componentes eletrônicos. Seu veredito: a Xbox precisa de um reset.
O documento ecoa declarações do CEO da Microsoft, Satya Nadella, que, no mesmo dia 10, afirmou, em evento do jornal The New York Times, que a Xbox ainda precisa encontrar uma forma de trazer lucro para a empresa após os grandes investimentos realizados --cerca de US$ 90 bilhões (R$ 464 bilhões) só com a aquisição de estúdios.
"Enfrentamos o desafio de não estar monetizando esse entretenimento. Na verdade, estamos subsidiando esse entretenimento. Inclusive, há mais monetização de jogos do Xbox acontecendo no YouTube do que na Microsoft", afirmou o executivo.
O recado é claro: a Xbox está prestes a cortar a própria carne para tentar reverter o quadro atual, demitindo funcionários e fechando estúdios.
Segundo a Bloomberg, estúdios da Xbox, como a canadense Compulsion Games (de "South of Midnight") e a americana Double Fine ("Psychonauts"), negociam ativamente formas de se desligar da Microsoft, a fim de evitar o fechamento. A britânica Ninja Theory, criadora de "Hellblade", também mantém conversas no mesmo sentido, afirma a publicação.
O caso da Ninja Theory é especialmente curioso, já que o estúdio foi um dos destaques da apresentação de lançamentos da Microsoft com o jogo "Senua", realizada apenas três dias antes da divulgação da carta de Sharma.
No último dia 15, começaram a rolar as primeiras cabeças. O site The Game Business noticiou a saída de Craig Duncan, veterano da Rare, do comando da Xbox Game Studios. No cargo, ele supervisionava o funcionamento dos estúdios "first party" da Microsoft. Junto com ele, a diretora de gabinete (chief of staff) da Xbox Game Studios, Louise O'Connor, também deixará a empresa.
Mas as mudanças podem ser ainda mais profundas. Segundo o site The Information, a Microsoft considera inclusive desmembrar toda a divisão Xbox da empresa. Atualmente, a rede social LinkedIn e a plataforma para desenvolvedores GitHub, ambas da Microsoft, funcionam dessa forma e podem indicar um caminho para a Xbox.
Segundo a publicação, outra possibilidade considerada é encontrar um parceiro para administrar a Xbox por meio de uma "joint venture". Nesse cenário, os cortes previstos funcionariam como uma forma de deixar a divisão mais atrativa para possíveis compradores.
Os fãs de Xbox estavam esperançosos de que Asha Sharma poderia levar a divisão de games de volta aos "bons e velhos tempos". Pelo que se desenha sobre o "reset" que a executiva pretende fazer, o Xbox se tornará algo muito diferente de tudo o que já foi.
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