Novos viadutos, pistas duplicadas e acessos modernizados vão mudar a circulação de caminhões na BR-163/MS, uma das principais ligações rodoviárias do Cen...

A modernização deve ampliar a capacidade de uma rota importante para o transporte de cargas

Com 99 viadutos, 22 passarelas e 203 km de duplicações, uma estrada de 846 km vai ser transformada em uma das principais rotas de caminhões do Centro-Oeste Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR

Novos viadutos, pistas duplicadas e acessos modernizados vão mudar a circulação de caminhões na BR-163/MS, uma das principais ligações rodoviárias do Centro-Oeste. A estrada que atravessa Mato Grosso do Sul será modernizada pela Motiva Pantanal, com R$ 9,31 bilhões em investimentos previstos no contrato repactuado. Parte das obrigações iniciais já passou por fiscalização em 2026, enquanto as maiores ampliações serão executadas ao longo dos próximos anos.

A BR-163/MS atravessa Mato Grosso do Sul de norte a sul, ligando a divisa com Mato Grosso à fronteira estadual com o Paraná. O trecho concedido possui exatamente 845,9 km, passando por cidades como Sonora, Coxim, Campo Grande, Dourados e Mundo Novo.

A rodovia faz parte do corredor utilizado no transporte de grãos, carne bovina e outras mercadorias. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a modernização atende uma ligação estratégica para o escoamento da produção agroindustrial brasileira.

O plano prevê novas pistas de tráfego, faixas adicionais, viadutos e mudanças nos cruzamentos. A duplicação separa os veículos que seguem em sentidos opostos, enquanto as faixas extras ampliam o espaço de circulação em trechos selecionados.

O comunicado da B3 sobre o leilão de maio de 2025 confirma as grandes estruturas previstas no projeto. A lista da ANTT também inclui melhorias para pedestres, moradores e motoristas que precisam acessar propriedades próximas à rodovia.

As principais intervenções estruturais previstas incluem:

O novo contrato prevê 5 contornos urbanos, distribuídos pelas regiões de Mundo Novo, Eldorado, Itaquiraí, Vila São Pedro e Vila Vargas. Esses desvios serão construídos para oferecer alternativas de passagem fora de trechos urbanos, reduzindo a necessidade de veículos pesados atravessarem áreas habitadas.

Segundo a ANTT, o contrato renovado prevê 29 anos de concessão e estabelece aproximadamente 28,8 km de contornos, além de 150 km de faixas adicionais e 23 km de vias marginais.

Os contornos buscam separar parte do tráfego de longa distância dos deslocamentos locais. Uma solução parecida foi adotada em outra região do país, onde uma estrada de 50 km foi aberta para retirar caminhões de uma grande área urbana do Sul.

Na BR-163, a separação dos fluxos deverá facilitar o acesso às cidades e diminuir os conflitos entre caminhões, carros e pedestres. O resultado dependerá da conclusão de cada contorno e da ligação com as pistas existentes.

A concessão já registrou entregas de melhorias e cumprimento das obrigações iniciais fiscalizadas pela ANTT. Em 17 de abril de 2026, a Motiva Pantanal liberou uma faixa adicional entre os quilômetros 7,7 e 9,5, em Mundo Novo, antes do prazo previsto para agosto.

Segundo a ANTT, que registrou a entrega antecipada, o trecho recebeu também melhorias no acostamento para ampliar as condições de circulação. A intervenção beneficia especialmente o tráfego que segue em direção à Região Sul.

Em julho, a agência informou que um verificador independente confirmou o cumprimento das intervenções previstas para os 9 primeiros meses da repactuação. A validação atingiu o patamar contratual mínimo de 90% dessas obrigações iniciais.

Esse percentual não representa a conclusão de 90% de todas as duplicações e viadutos do contrato. A fiscalização considerou as obras e os serviços que deveriam ter sido realizados naquele período específico.

O pedágio da BR-163/MS passou por uma revisão em agosto de 2026, com atualização monetária e aplicação de um aumento previsto no contrato. A ANTT autorizou os novos valores a partir de 5 de agosto, nas praças de cobrança já existentes.

A atualização envolveu dois mecanismos: correção monetária de 5,16%, calculada pelo IPCA, e aplicação de um degrau tarifário contratual de 33,64%. O segundo mecanismo dependia da comprovação do cumprimento das intervenções iniciais estabelecidas no programa da rodovia.

O modelo também prevê benefícios para determinados motoristas:

As tarifas cobradas variam conforme a praça, a categoria do veículo e os benefícios aplicáveis. Caminhões podem pagar valores diferentes dos carros de passeio, de acordo com sua classificação e seus eixos.

As próximas entregas seguem o calendário da concessão, que prevê obras de ampliação em etapas. Entre as metas para os 3 primeiros anos estão os primeiros 65 km de duplicações e a conclusão do Contorno de Mundo Novo.