Avanço da doença no Amazonas acende alerta na região Norte e reforça a importância da vacinação para evitar novos surtos O post Com alta de casos de sarampo no Norte, especialistas orientam como diferenciar da catapora apareceu primeiro em Folha BV .

O avanço recente de casos de sarampo no Brasil, especialmente na região Norte, tem colocado as autoridades de saúde em alerta — e Roraima entra nesse cenário como área estratégica de vigilância por sua localização de fronteira. Em 2026, o país já contabiliza 36 casos confirmados da doença, com registros no Amazonas, incluindo ocorrências importadas do Peru em Tabatinga, município vizinho a áreas de intenso fluxo migratório.

Embora Roraima ainda não registre surtos recentes de grande proporção, a proximidade geográfica com áreas afetadas e o histórico de circulação do vírus acende o sinal de atenção para possíveis reintroduções. O sarampo é uma doença altamente contagiosa, transmitida pelo ar, por meio de gotículas expelidas ao falar, tossir ou espirrar — o que facilita sua rápida disseminação, especialmente em locais com baixa cobertura vacinal.

Diante desse cenário, cresce entre a população a dúvida sobre como diferenciar o sarampo de outra doença comum, a catapora. Ambas provocam manchas na pele, mas têm características distintas.

De acordo com a biomédica e professora Alice Del Colletto, o sarampo costuma apresentar sintomas iniciais mais intensos. “É comum o paciente ter febre alta, tosse, coriza, olhos avermelhados e sensibilidade à luz. As manchas aparecem primeiro no rosto e depois se espalham pelo corpo”, explica.

Já a catapora, causada pelo vírus varicela-zóster, tem evolução diferente. “Ela se caracteriza por pequenas bolhas na pele, que coçam bastante e surgem em diferentes estágios ao mesmo tempo — algumas ainda são manchas, outras já estão em forma de crostas”, detalha a especialista.

Além das diferenças clínicas, o que mais preocupa os profissionais de saúde é o retorno do sarampo após anos de controle. O Brasil chegou a receber, em 2016, o certificado de eliminação da doença, mas perdeu o status em 2019, após a reintrodução do vírus e a queda nos índices de vacinação. O reconhecimento foi retomado em 2024, mas depende da manutenção de altos níveis de imunização.

Segundo especialistas, a redução da cobertura vacinal nos últimos anos é o principal fator para o reaparecimento da doença. Em estados da região Norte, incluindo Roraima, desafios logísticos, desinformação e dificuldades de acesso a serviços de saúde contribuem para esse cenário.

“A vacina é uma proteção coletiva. Quando menos pessoas se vacinam, o vírus encontra espaço para circular novamente, colocando em risco principalmente crianças, idosos e pessoas com imunidade comprometida”, alerta a professora.

A vacina tríplice viral, disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), protege contra sarampo, caxumba e rubéola e é considerada segura e eficaz. A orientação das autoridades de saúde é manter o calendário vacinal atualizado, especialmente em regiões de fronteira como Roraima, onde há maior risco de entrada de casos importados.

Tanto no caso do sarampo quanto da catapora, a vacinação segue como principal forma de prevenção. Além de evitar formas graves das doenças, a imunização contribui para reduzir a circulação dos vírus e proteger toda a população.

Com o sarampo ainda presente em diversos países, o Brasil — e particularmente estados como Roraima — precisa manter vigilância constante, campanhas de vacinação ativas e resposta rápida diante de casos suspeitos para evitar novos surtos.