Brasil joga para assegurar liderança de sua chave e exibir um futebol convincente na Copa do Mundo
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23.jun.2026 às 23h00
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Marcos Guedes Luciano Trindade
Criticado pelo fato de a seleção brasileira não ter uma identidade clara sob seu comando, Carlo Ancelotti passou a adotar uma resposta sagaz: o time não tem uma identidade clara porque ele não quer. Enquanto tateia as possibilidades, lida com lesões e tenta achar uma alternativa confiável, o técnico abraça a ideia de uma equipe multifacetada, com numerosas opções táticas.
Miami Gardens, quarta-feira (24), às 19h
"O Brasil tem várias identidades. Eu não quero uma identidade clara na equipe. Quero que ela faça muitas coisas: defender com bloco baixo, aproveitar a qualidade dos jogadores, ser agressiva na frente… Você não deve esperar uma identidade clara porque eu não quero uma identidade clara. Quero uma equipe que saiba ter muitas facetas", disse.
A frase não esconde o fato de que essas facetas ainda não estão bem desenvolvidas. Trata-se de algo compreensível em um trabalho que tem pouco mais de um ano, porém a Copa do Mundo exige soluções rápidas. E a ideia no confronto com a Escócia, na noite de quarta-feira (24), é exibir uma solidez maior a caminho do mata-mata.
"Pensamos em jogar bem. Queremos melhorar contra a Escócia, ganhar o jogo e, se possível, garantir a primeira posição, porque pode ser importante", afirmou o técnico, que novamente terá de abraçar um estilo camaleônico. Sem o lesionado Raphinha, precisará buscar uma alternativa no ataque.
Na estreia, um sofrido empate por 1 a 1 com Marrocos, o Brasil atuou com um centroavante típico, Igor Thiago, que não funcionou. Na sequência, na vitória por 3 a 0 sobre o Haiti, deu certo a entrada de um jogador mais móvel, Matheus Cunha –não pode ser desconsiderada a fragilidade do adversário, que jamais pontuou na história do Mundial.
Agora, é provável que não haja maiores mudanças de estrutura, porém se faz necessária uma adaptação. O problema na coxa direita vai tirar Raphinha da rodada derradeira do Grupo C e, confirmada a classificação ao mata-mata, ele também quase certamente será desfalque no duelo por uma vaga nas oitavas de final.
Quando o camisa 11 sentiu a lesão, Ancelotti acionou o jovem Rayan, sobretudo por sua capacidade de receber a bola nas costas da adiantada defesa do Haiti. A expectativa é que a Escócia atue de maneira bem mais fechada, com a zaga dentro da área, o que faz do driblador Luiz Henrique o favorito para a vaga. Também se candidatam Martinelli, Endrick e Igor Thiago.
Já Neymar, finalmente à disposição, ainda não tem capacidade de atuar desde o início. O atacante de 34 anos, que se apresentou ao grupo com uma lesão na panturrilha direita, foi definitivamente integrado ao grupo apenas na última segunda (22) e será opção no banco de reservas no Hard Rock Stadium, em Miami Gardens.
Nas cercanias de Miami, a seleção espera proteger a primeira colocação de sua chave. A equipe verde-amarela tem quatro pontos, mesmo número de Marrocos, e leva vantagem de dois gols no saldo. A formação marroquina fechará sua participação na primeira fase também na quarta, contra o eliminado Haiti.
Se avançar ao mata-mata na liderança, o Brasil enfrentará o segundo colocado do Grupo F –Holanda, Japão ou Suécia. Se ficar em segundo, pegará o líder do próprio Grupo F –de novo, as possibilidades são Holanda, Japão e Suécia.
Mas, mais do que fugir de um confronto mais complicado, ficar em primeiro importa por uma questão logística. Com a ponta de sua chave, a seleção permaneceria nos Estados Unidos, manteria sua base de hospedagem e treinamentos em Nova Jersey e iniciaria a segunda fase em Houston. Em segundo lugar, teria de ir ao México e jogar em Monterrey.
"Temos todas as facilidades aqui, com um centro de treinamento muito bom, um hotel ótimo. Se a gente se classificar em segundo, como todos sabem, vai acabar mudando um pouco a programação, com uma viagem mais longa. Nosso primeiro objetivo é a classificação em primeiro lugar dar sequência à nossa campanha", afirmou Martinelli.
O obstáculo no caminho é uma equipe que bateu o Haiti por 1 a 0 e perdeu para Marrocos pelo mesmo placar. A Escócia busca sobreviver à fase de grupos da Copa pela primeira vez em sua história e, tudo indica, terá um comportamento defensivo. Um empate quase certamente assegura sua classificação e mesmo uma derrota por diferença pequena pode lhe ser suficiente.