Chip indica também a exata posição de uma peça mínima dentro de uma grande linha de montagem automobilística
Por trás de cada passe analisado pela arbitragem de vídeo (VAR) na Copa do Mundo, há uma tecnologia de ponta desenvolvida especialmente para o futebol. O equipamento foi um dos protagonistas do jogo entre Portugal e Croácia nesta quinta-feira, 2, e definiu a anulação do segundo gol da equipe liderada por Luka Modric.
O sensor de alta precisão usado no esporte, porém, não serve apenas para validar lances polêmicos: já é usado em algumas das fábricas mais modernas do mundo e serviu de base para o desenvolvimento de outras tecnologias usadas no dia-a-dia, em celulares e óculos de realidade virtual.
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A tecnologia de bola conectada foi desenvolvida pela Adidas em parceria com a empresa de tecnologia Kinexon. O coração dessa tecnologia é um pequeno sensor chamado Unidade de Medida Inercial (IMU, na sigla em inglês). Ele pesa poucos gramas, funciona como uma linha de “eletrocardiograma” que capta movimentos 500 vezes por segundo e envia dados em tempo real.
A tecnologia criada para o futebol rapidamente migrou para o basquete, o handbol e o hóquei no gelo. Pouco tempo depois percebeu-se que poderia ser usada em outras áreas. O sensor instalado dentro das bolas para monitorar os chutes dos melhores atletas do mundo virou o cérebro operacional de montadores, grandes armazéns de mercadorias e outras gigantes da logística global.
O GPS tradicional, que usamos para navegar nas ruas e estradas, não funciona dentro de galpões fechados devido às coberturas de metal e concreto. Além disso, sua precisão varia em metros — uma margem aceitável para um carro, mas fatal para uma linha de montagem ou para detectar a posição de uma bola.
A tecnologia utiliza o Ultra-Wideband (UWB), sistema de rádio de curto alcance e altíssima frequência. Em vez de satélites no espaço, antenas são instaladas ao redor do estádio (ou do galpão industrial). O chip inserido no objeto (ou na bola) envia dados milhares de vezes por segundo para as antenas.
O resultado é de uma precisão milimétrica, capaz de localizar qualquer peça, robô ou pessoa em tempo real com menos de 5 centímetros de margem de erro. No futebol, o sensor avisa o momento exato em que a bola toca o pé do jogador. Na indústria automobilística, por exemplo, ele avisa exatamente qual parafuso está sendo fixado em uma linha de montagem.
Em fábricas de alta tecnologia, parafusadeiras e chaves pneumáticas recebem automaticamente as informações de posicionamento. Ao aproximar a ferramenta do chassi de um veículo, o sistema central reconhece a peça exata e configura o torque (a força de aperto) de forma automática. Se o operador tentar usar um componente diferente, a ferramenta simplesmente não liga. Ou seja, a tecnologia elimina eventuais falhas humanas antes mesmo de elas acontecerem.
O gerenciamento de grandes armazéns logísticos sempre foi um pesadelo de etiquetas, leitores de código de barras e contagens manuais. Com os sensores de movimento, esse cenário mudou radicalmente. Pallets e caixas equipados com o chip indicam continuamente sua posição. O sistema de gerenciamento de estoque sabe o que entrou e saiu sem a necessidade de um funcionário escanear cada código de barra.
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A tecnologia também ajuda a organizar o tráfego de robôs em fábricas que utilizam vários veículos autônomos ao mesmo tempo em um mesmo espaço físico. Ao ter ciência da localização de cada um dos robôs, a tecnologia funciona como uma torre de controle de tráfego aéreo interno, indicando rotas individualizadas, evitando colisões e otimizando o fluxo de mercadorias.
O sensor IMU é ainda base da tecnologia que usamos cotidianamente para que a tela do nosso celular gire quando deitamos o aparelho; para que os controles de videogame entendam que estamos mexendo as mãos e ainda para que óculos de realidade virtual saibam exatamente para onde estamos olhando.


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