Parte da educação financeira, conhecer as taxas financeiras, como funcionam e como são definidas é essencial para a saúde das finanças pessoais
Compartilhar matériaOs juros do banco ou da instituição financeira são a base para uma série de serviços financeiros, principalmente crédito e investimento. É a partir deles que são definidos rendimentos e taxas.
Entender o glossário básico deste universo e como são definidos os juros ajuda na hora de negociar e contratar um financiamento ou fazer uma aplicação financeira.
Isso faz parte da educação financeira que ajuda não só no planejamento das finanças pessoais, mas também na construção e manutenção de patrimônio.
“Em qualquer lugar do mundo, a definição dos juros começa a partir do juro base da economia, que no Brasil é a Selic”, explica Myrian Lund, professora de MBAs (Master of Business Administration) da FGV (Fundação Getulio Vargas) e especialista em finanças.
Ela conta que a Selic é a base porque a instituição financeira capta dinheiro com essa taxa e, a partir daí, acrescenta imposto, custo operacional, risco de inadimplência e o lucro, gerando a taxa de juros.
“A instituição também olha se algum bem vai ficar alienado como garantia, como um carro ou imóvel”, destaca Lund, contando que este é o motivo de juros do cheque especial e do cartão de crédito serem mais caros. Por não terem nenhuma garantia por trás, acabam tendo um spread bancário maior.
Esta diferença é importante para saber o que muda em um empréstimo pessoal e um financiamento imobiliário, por exemplo.
A professora da FGV dá dicas de como comparar taxas de juros na hora de contratar algum serviço financeiro. Se preparar com antecedência, mesmo em momentos de aperto financeiro, é a chave para diminuir os custos do dinheiro.
O primeiro passo é acessar as tarifas cobradas no mercado financeiro para o produto que você busca. Myrian Lund sugere como fonte o Banco Central (BC), que tem dados e estatísticas úteis e atualizados:
Assim, você tem acesso às médias das taxas cobradas pelas instituições financeiras em serviços como cartão de crédito parcelado, cheque especial, crédito consignado, financiamento imobiliário, entre outros. São os valores praticados pelo mercado financeiro com atualização que costuma ser a cada uma a duas semanas.
“Não é a taxa que todo mundo tem, porque para cada pessoa ela é diferente, dependendo da capacidade de pagamento”, lembra a professora. “Isso aqui é uma média, tanto de quem é de alta renda quanto de baixa renda. E a diferença é que alta renda tem investimento, o que acaba deixando o crédito mais barato”.
Lund diz que pessoas que têm dinheiro aplicado podem usar isso como garantia para conseguir uma taxa mais parecida com a do financiamento de um imóvel ou automóvel, por exemplo.
Depois de ter isso em mãos, é possível comparar as taxas de juros oferecidas pelos bancos e instituições financeiras e até negociar condições melhores.
Mesmo com o Open Finance, a especialista explica que na maioria dos cenários os bancos e instituições financeiras ainda oferecem melhores condições para quem já tem um histórico de relacionamento com eles.
“Não atrasar as contas e ter um bom score de crédito melhora o relacionamento”, explica Lund. “Você ter tido nome sujo não tem problema. Se limpou, volta tudo para a estaca zero. Mas sua nota vai subir progressivamente à medida que mantém os pagamentos, não de uma vez”.
A professora destaca que o cuidado vai além da taxa de juros: a prestação deve caber no orçamento. Principalmente no caso de empréstimo para pagar outros empréstimos, que merece atenção redobrada.
“Tem que ter um cuidado muito grande antes de fazer”, sinaliza Lund. “Mesmo com uma taxa baixa, você pode ficar encalacrado. E aí como vai pagar as suas contas?”.
Ela alerta que isso é comum nos descuidos com o crédito consignado. “Você está pegando um crédito que é barato para qualquer coisa, mas se pega o limite todo, reduz seu salário sem ver o impacto que tem na sua renda”, detalha. “Você fica 8, 10 anos recebendo um salário pela metade, então suas contas não vão fechar”.
A especialista diz que o ideal é sempre pegar apenas a quantia de crédito que é necessária, e no menor prazo possível, para se livrar da dívida o quanto antes.
Utilizar serviços financeiros envolve um vocabulário comum das instituições não só sobre juros, mas também para modalidades de pagamento, de crédito e de contratos. Faz parte da educação financeira e do planejamento das finanças pessoais entender o que significam. Abaixo, veja o glossário com exemplos:



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