Luta de Rubem Alves contra 'ditadura do x' criou vestibular da Unicamp há 40 anos Por duas décadas, o vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi feito em parceria com outras instituições e tinha um modelo consolidado no Brasil: exclusivamen…
Por Gabriel Pitor, Poliana Belo*, g1 Campinas e Região
22/06/2026 04h00 Atualizado 22/06/2026
A Comvest inaugurou nesta quinta-feira (18) um memorial de 40 anos do vestibular da Unicamp. O projeto reúne fotos, vídeos, documentos e depoimentos sobre a trajetória.
Em 1987, a Unicamp criou seu próprio vestibular, idealizado por Rubem Alves. O modelo combateu a "ditadura do X" com questões discursivas e redação.
No passado, a organização enfrentava cambistas nas inscrições e correções manuais de provas em ginásios. A digitalização ocorreu nos anos 2000.
As cotas e novos formatos ampliaram a inclusão de egressos de escolas públicas, pretos, pardos e indígenas, segundo a Comvest.
O memorial fica no prédio da Comvest, em Campinas (SP). A visitação é gratuita e exige agendamento prévio por e-mail.
Luta de Rubem Alves contra 'ditadura do x' criou vestibular da Unicamp há 40 anos
Por duas décadas, o vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi feito em parceria com outras instituições e tinha um modelo consolidado no Brasil: exclusivamente com perguntas de múltipla escolha (alternativas). Esse tipo de avaliação perdurou de 1966, quando a universidade começou a funcionar, até 1986.
Em 1987, pela primeira vez a Unicamp elaborou o seu próprio vestibular. Um grupo de professores e especialistas, liderado pelo escritor e professor Rubem Alves, idealizou um modelo de prova para levar o candidato a interpretar, desafiando a chamada "ditadura do X". Para o grupo, o modelo de múltipla escolha possibilitava ao candidato decorar o conteúdo para conseguir passar
"Nós queríamos um vestibular que não testasse a memória, porque há pessoas com memória perfeita que são completamente estúpidas. Então, a grande questão é: como testar a capacidade de pensar de maneira inteligente dos alunos? [...] O que importa é a articulação do pensamento", explicou Alves em entrevista a uma emissora da própria universidade, em 2006.
Escritor Rubem Alves, à esquerda, e aplicação do vestibular da Unicamp à direita — Foto: Instituto Rubem Alves/Acervo Unicamp
As principais mudanças, que permanecem até hoje, foram as adições de questões discursivas — nas quais o candidato tem de escrever a resposta — e redação.
Essa história e outras curiosidades foram resgatadas em um memorial dos 40 anos da Comvest inaugurado na semana passada.
Além do lançamento de um documentário, o projeto reúne fotos, vídeos, documentos e depoimentos sobre a trajetória do vestibular da universidade. Confira abaixo como ter acesso ao conteúdo.
Uma ideia que cresceu
Sala de aplicação do vestibular da Unicamp em 1989 — Foto: Memorial de 40 anos da Comvest
O ex-coordenador de logística da Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) Ary Orozimbo Chiacchio se recorda que a ideia de Alves começou após discussões de um pequeno grupo, ainda em 1986, mas se materializou no ano seguinte.
"Foi crescendo. Outros professores foram colaborando, participando, querendo integrar a equipe. Um trabalho conjunto mesmo. Demorou, teve resistência, mas foi bom", recordou.
"O Rubem era contra essa 'ditadura do X'. Na verdade, a gente queria ideias, conteúdo, leitura, interpretação de texto. Nada de 'cruzinha', nada de só 'decoreba' e saber a resposta exata. Não existia resposta exata em uma questão aberta", completou.


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