Ela não está na sua mesa, mas já influencia a criptografia do seu app de mensagens, o ônibus que você pega e o remédio que sua farmácia vende O post Computação quântica já mexe no seu celular e você nem viu apareceu primeiro em Olhar Digital.
Você não tem um computador quântico em casa. Provavelmente nunca vai ter. Mesmo assim, essa tecnologia já encosta na sua rotina em pontos que ninguém anuncia: no aplicativo de mensagens, na rota do caminhão que entrega sua compra, no remédio que está sendo testado agora em laboratório.
A computação quântica não substitui o seu notebook. Ela resolve um tipo específico de problema — aqueles com um número absurdo de combinações possíveis — usando qubits, que exploram propriedades da física quântica para testar caminhos em paralelo. É uma ferramenta de nicho. Só que o nicho dela é bem grande.
Este é o caso mais concreto. A criptografia que protege suas conversas, seu internet banking e suas senhas se apoia em contas que computadores comuns levariam milhares de anos para resolver. Um computador quântico grande o suficiente resolveria em bem menos tempo.
Esse computador ainda não existe. Mas o risco tem nome: “colha agora, decifre depois”. Alguém guarda dados criptografados hoje e espera a máquina do futuro para abrir tudo.
Por isso a indústria não esperou. O NIST, órgão de padrões dos EUA, publicou em 2024 os primeiros padrões de criptografia pós-quântica, entre eles: o Signal adotou proteção pós-quântica em 2023, e a Apple anunciou o protocolo para o iMessage em 2024. O Google Chrome também já usa troca de chaves híbrida resistente a computadores quânticos. Você não clicou em nada. Já veio ligado.
Escolher a melhor rota entre milhares de possibilidades é exatamente o tipo de problema em que algoritmos quânticos prometem vantagem. A Volkswagen testou otimização quântica de rotas para ônibus urbanos em 2019. Portos, transportadoras e companhias aéreas rodam experimentos parecidos.
Importante: hoje, na maioria dos casos, computadores clássicos ainda entregam resultado igual ou melhor. O que essas empresas fazem é aprender a formular o problema agora, para não ficar para trás depois.
Simular como uma molécula se comporta é caro em computador comum, porque moléculas são objetos quânticos. Aqui a vantagem faz mais sentido. Farmacêuticas e empresas químicas mantêm parcerias com fabricantes de hardware quântico para acelerar a descoberta de fármacos e de materiais para baterias.
Dá, e de graça. IBM, Amazon e Microsoft oferecem acesso a processadores quânticos pela nuvem, com camadas gratuitas para estudantes e curiosos . O Brasil também entrou no mapa: o SENAI CIMATEC, em Salvador, instalou um computador quântico da IBM.
Ninguém sabe. As máquinas atuais erram muito, e o grande desafio é a correção de erros. O chip Willow, anunciado pelo Google em dezembro de 2024, foi apresentado como avanço nesse ponto. As estimativas para um computador quântico realmente útil variam de cinco a vinte anos, dependendo de quem você pergunta.
Enquanto isso, a computação quântica segue como aquele convidado que ainda não chegou à festa — mas cuja chegada já fez todo mundo reorganizar a casa.
Wharrysson Lacerda é editor(a) chefe no Olhar Digital




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