Manchita é uma onça-pintada jovem que já cruza fronteiras entre Brasil e Argentina Uma nova onça-pintada começa a ganhar espaço no monitoramento realizado na região do Parque Nacional do Iguaçu. Manchita, uma jovem de cerca de um ano e meio e filha de Kunumi,…
Por Fernanda Machado, Terra da Gente
22/09/2026 11h44 Atualizado 22/09/2026
A onça-pintada Manchita, de 1 ano e meio, foi registrada pela primeira vez no Brasil. Ela cruzou a fronteira com a Argentina pelo Parque Nacional do Iguaçu.
No local, Manchita realizou o reflexo de Flehmen ao cheirar marcações de outra fêmea. O comportamento serve para identificar sinais químicos deixados por outros indivíduos no ambiente.
Pelo menos 11 onças compartilham a região entre os dois países. Manchita é filha de Kunumi, fêmea que também transita pela fronteira do Rio Iguaçu.
Manchita é uma onça-pintada jovem que já cruza fronteiras entre Brasil e Argentina
Uma nova onça-pintada começa a ganhar espaço no monitoramento realizado na região do Parque Nacional do Iguaçu. Manchita, uma jovem de cerca de um ano e meio e filha de Kunumi, uma fêmea que circula entre Brasil e Argentina, foi registrada pela primeira vez em território brasileiro e já protagonizou uma cena curiosa diante das câmeras.
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No vídeo, a jovem se aproxima de uma árvore e cheira atentamente o local. Depois, ergue a cabeça, mantém a boca ligeiramente aberta e faz uma expressão que pode parecer estranha para quem observa. O comportamento, no entanto, tem uma explicação bastante precisa.
Manchita estava fazendo o chamado reflexo de Flehmen, uma estratégia utilizada por diversos mamíferos para investigar sinais químicos presentes no ambiente. Naquele ponto, havia passado no dia anterior outra fêmea, a Uayara.
Segundo Yara Barros, bióloga, doutora em Zoologia e coordenadora executiva do Projeto Onças do Iguaçu, o comportamento ajuda o animal a direcionar as moléculas presentes no odor para o órgão vomeronasal, estrutura especializada na percepção de sinais químicos.
“Essas marcas funcionam como uma espécie de ‘recado químico’.”
Por meio desses sinais, uma onça pode obter informações sobre o sexo, a identidade e a condição reprodutiva de outro indivíduo. Os odores também podem indicar se determinada onça passou recentemente pelo local e se aquele ponto costuma ser utilizado com frequência.
“Como são animais predominantemente solitários, essa comunicação permite que troquem informações sem precisar estar no mesmo lugar ao mesmo tempo”, explica Yara.
Machita é uma onça-pintada jovem que já cruzou a fronteira entre Brasil e Argentina. — Foto: Projeto Onças do Iguaçu
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Um cheiro que conta uma história
A duração desses sinais no ambiente não é exata. Ela depende de fatores como o tipo de marcação, que pode envolver urina, fezes ou secreções glandulares, além da superfície onde o odor foi deixado e das condições do tempo.
Chuva, sol, temperatura, umidade e circulação do ar podem acelerar o desaparecimento do cheiro. Em locais mais protegidos, algumas substâncias podem continuar detectáveis por vários dias e possivelmente até semanas. Ainda assim, existe um limite para o que a ciência consegue decifrar a partir dessas pistas.



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