O Conselho de Estado proibiu o percurso da manifestação que sindicatos pretendiam realizar em Paris, após recurso do Governo, alegando riscos de perturbaçã...

O Conselho de Estado, a mais alta instância administrativa de França, proibiu o percurso da manifestação que os sindicatos pretendiam realizar hoje no centro de Paris, após um recurso do Governo, alegando riscos de perturbação grave da ordem pública.

O percurso proposto pelos sindicatos, com início na praça da Bastilha e término na praça da Nação, destinava-se a ser a principal manifestação convocada na capital naquele que é o terceiro sábado consecutivo de protestos contra o aumento do custo de vida e a degradação dos serviços públicos.

A Prefeitura da Polícia de Paris não autorizou o trajeto e propôs um percurso alternativo, entre a Porte de Charenton (sul) e a Porte de Bagnolet (leste), contornando parte da cidade e evitando as principais zonas comerciais.

Contudo, uma decisão de um tribunal administrativo anulou, na sexta-feira, essa determinação.

Perante esta decisão, e alegando que se tratava de mais uma jornada de "alto risco" de pilhagens e atos de vandalismo, o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, anunciou imediatamente um recurso para o Conselho de Estado, que acabou por dar razão ao Governo.

Na sequência da proibição do percurso, o sindicato estudantil FAGE (Federação das Associações Gerais de Estudantes), uma das organizações envolvidas na preparação da iniciativa, denunciou "um novo obstáculo ao direito de manifestação" e explicou que as organizações sindicais vão reunir-se para decidir como prosseguir com o protesto.

Além dos sindicatos, também os chamados "coletes amarelos" convocaram uma manifestação com início na Bastilha e fim na praça da Concórdia, junto aos Campos Elísios e nas proximidades do Palácio do Eliseu e da Assembleia Nacional francesa, duas importantes sedes do poder político no país.

O percurso previa ainda a passagem pela movimentada zona comercial da Ópera.

Além das manifestações e do risco de confrontos, as autoridades francesas estão preocupadas com apelos divulgados nas redes sociais por grupos de extrema-direita e outros movimentos radicalizados para provocar distúrbios, realizar pilhagens e aproveitar as celebrações do Halloween para organizar concentrações violentas, também durante a noite.

Perante estas ameaças, a Prefeitura da Polícia de Paris voltou a decretar um recolher obrigatório, com início na noite de sexta-feira e durante todo o fim de semana, circunscrito à praça da República e à zona comercial de Châtelet-Les Halles, onde se registaram numerosas pilhagens no fim de semana de 17 e 18 deste mês.

Os menores que não estejam acompanhados por, pelo menos, um representante legal também estarão impedidos de circular, a partir das 21:00, em vários bairros da capital.

O Governo mobilizou um dispositivo policial excecional de 70.000 agentes em todo o território nacional, que inclui polícias, militares da Gendarmaria, unidades móveis, veículos blindados, drones e helicópteros.

A operação prevê igualmente a realização de operações de fiscalização nas estradas e estações das redes ferroviárias, com o objetivo de detetar armas e prevenir eventuais atos de violência.

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