Outro dado é que 66% dos entrevistados afirmam aceitar compartilhar parte de seus dados de forma anônima em troca de anúncios mais relevantes, enquanto 57% avaliam positivamente as notificações enviadas por "push" (alertas que surgem nas telas do celular ou computador, enviadas por sites ou navegador) baseadas em localização.

A pesquisa destaca ainda que, embora as redes sociais liderem como o canal mais lembrado para esse tipo de impacto (68%), as notificações via "push" têm aceitação de 57% dos usuários.

Esse comportamento ocorre em um cenário de restrições crescentes ao uso de dados pessoais e ao rastreamento individual. O executivo explica que, para atender às exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a estratégia utiliza informações agregadas e anônimas para compreender padrões de comportamento, sem identificar diretamente o consumidor.

Além do conteúdo consumido, outros elementos ajudam a definir o momento ideal para uma campanha. Horário do dia, perfil demográfico e até particularidades regionais influenciam a percepção da mensagem. "Quanto mais estereotipada for a comunicação, maior tende a ser a rejeição do consumidor. São pequenos detalhes que fazem diferença, inclusive na linguagem utilizada. Uma expressão regional pode aumentar a identificação com a campanha."

Questionado sobre os impactos da inteligência artificial nesse mercado, Fernandes afirma que a tecnologia ainda está distante de substituir plataformas especializadas em mídia contextual, embora seu uso esteja crescendo no mercado publicitário. Segundo ele, os modelos de IA conseguem automatizar processos, mas ainda enfrentam dificuldades para compreender o contexto de consumo utilizando dados de primeira parte e informações geolocalizadas com o mesmo nível de precisão.

"A inteligência artificial ajuda muito na automação, mas ainda não possui acesso à mesma qualidade de dados nem consegue interpretar contexto com a mesma profundidade. Ainda estamos longe de atingir esse nível de segurança e efetividade."