tag:blogger.com,1999:blog-4619227631835749899.post-51962853529561908712026-08-31T07:30:28.531-03:002026-08-31T07:36:01.917-03:00Ichi, o Assassino | Controverso filme super banido ultra violento que popularizou o gore

<div style="text-align: justify;"><div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjAuGwlNtzdlteM53S8nx3dDlrPKNmgd4dYDX4yf5mV-OZfct5EEzS2YmOvnZDh6Fmbkv2aJ_IfEE38mYeE5KHF8v8z1aZbD-dkyNMCWALzguaoLeF5GxpS5ST3_Ne1ty8gX9JvxLJTw_bmHHcDxsWP3cPt_nAGdTbPK_XZG23SVnlHcB6AT57iHkvRNd3-/s800/uiii%20ele%20excentrico.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img border="0" data-original-height="516" data-original-width="800" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjAuGwlNtzdlteM53S8nx3dDlrPKNmgd4dYDX4yf5mV-OZfct5EEzS2YmOvnZDh6Fmbkv2aJ_IfEE38mYeE5KHF8v8z1aZbD-dkyNMCWALzguaoLeF5GxpS5ST3_Ne1ty8gX9JvxLJTw_bmHHcDxsWP3cPt_nAGdTbPK_XZG23SVnlHcB6AT57iHkvRNd3-/s1600/uiii%20ele%20excentrico.jpg" /></a></div>Tem filme que você encontra por acaso e pensa: “como diabos isso existiu?”. Ichi, o Assassino (Ichi the Killer internacionalmente) é um desses casos. A produção japonesa de 2001 parece ter sido feita para testar o quanto alguém consegue aguentar sentado diante da televisão. E não é só pela quantidade de sangue. Algumas cenas têm uma capacidade absurda de causar agonia, principalmente porque Takashi Miike não tem muita pressa para cortar para outra coisa quando um personagem está sofrendo.<span><a name='more'></a></span><br /><br />Miike já tinha uma carreira bastante particular antes de dirigir Ichi, o Assassino. Nascido em Osaka, no Japão, o diretor construiu fama com filmes que passeiam por violência, crime, horror e situações completamente desconfortáveis, incluindo Audition e Dead or Alive. Ichi, o Assassino veio de uma fase em que ele já era conhecido por não ter muito interesse em respeitar os limites que normalmente seguram uma produção comercial. O filme adapta o mangá Koroshiya 1, de Hideo Yamamoto, e coloca a história de yakuza em um nível de violência que parece saído diretamente de uma história em quadrinhos adulta.<br /><br />A trama acompanha Kakihara, um integrante da yakuza que procura desesperadamente pelo chefe desaparecido. O detalhe é que Kakihara é um sujeito completamente obcecado por dor. Ele não é simplesmente um criminoso violento. Existe nele uma relação doentia com tortura e sofrimento, e isso faz com que a investigação acabe levando até Ichi, um rapaz aparentemente frágil e reprimido que possui uma habilidade assustadora para matar. A partir daí, os dois começam a funcionar quase como lados diferentes da mesma obsessão.<br /><br />E é aqui que o filme começa a ficar complicado de explicar para quem nunca viu. Ichi, o Assassino não é simplesmente “um filme cheio de gore”. Ele mistura crime, humor ácido, sadomasoquismo, violência sexual, horror corporal e situações tão absurdas que às vezes você não sabe se deveria sentir repulsa ou rir. O próprio Miike parece brincar com essa reação. A violência pode ser grotesca e exagerada como um desenho, mas isso não impede determinadas cenas de serem genuinamente difíceis de assistir.<br /><br />Uma das mais famosas envolve um personagem cortando a própria língua. A cena não precisa de uma explicação sofisticada para funcionar. Você vê o que está acontecendo, imagina a dor e imediatamente começa aquela reação de “não, não, não, não faz isso”. É o tipo de momento que mostra por que a fama do filme não veio apenas da quantidade de sangue, mas da maneira como ele transforma mutilação em algo quase físico para quem está assistindo. A versão exibida em Hong Kong, inclusive, teve essa sequência entre os trechos cortados.<br /><br />E essa está longe de ser a única situação capaz de provocar agonia. Kakihara tortura pessoas com ganchos, agulhas e queimaduras, enquanto outras cenas mostram mutilações, espancamentos e ferimentos de maneira extremamente gráfica. Existe até uma sequência em que a violência é levada para um nível tão absurdo que os próprios personagens ao redor reagem fisicamente, passando mal. É uma característica bem forte de Ichi, o Assassino: ele não trata a violência como algo rápido e limpo. Muitas vezes você é obrigado a ficar olhando para o estrago.<br /><br />No entanto não dá pra vender o filme simplesmente como uma diversão para quem gosta de gore. Existe uma quantidade enorme de conteúdo sensível real e bem desconfortável. Além da violência extrema, há cenas horríveis de violência s3xual, tortura, mutilação, sadomasoquismo e situações envolvendo abuso de mulheres. O próprio órgão britânico responsável pela classificação etária, o BBFC, exigiu cortes justamente em cenas envolvendo mulheres mut1ladas, estu... ou brutalmente agredidas e em momentos que associavam violência a prazer sexual. </div><div style="text-align: justify;"> </div><div style="text-align: justify;">A versão aprovada no Reino Unido recebeu classificação 18 anos. Então de fato, não é só um gore descontrolado, é uma mistura entre cenas em que tem uma sala inteira lotada de corpos e pintada de vermelha, com algo ridiculamente exagerado, que não vai chocar quem é acostumado com ação e anime, mas tem outras que são cenas de fato muito pesadas, mostradas de forma seca e crua, e que só é horrível mesmo, parecendo coisa de filme indie de forum obscuro, e não algo que pensaram que ia passar no cinema. Talvez hoje em dia os órgãos fossem ainda mais rígidos.<br /><br />A censura internacional acabou se tornando parte da própria lenda de Ichi, o Assassino. No Reino Unido, a versão integral não passou e mais de três minutos precisaram ser removidos. Em Hong Kong, a tesoura foi muito mais violenta: quase 17 minutos foram cortados para a versão liberada com a classificação máxima local, Category III. Nos Estados Unidos, existiu uma versão R com cerca de 11 minutos a menos, enquanto uma edição sem cortes também circulou.<br /><br />E aí chegamos à parte que fez o filme ganhar aquela aura de obra proibida escondida em algum canto do cinema underground. Ichi, o Assassino foi banido na Noruega e na Malásia, além de enfrentar proibição de distribuição na Alemanha. No caso norueguês, a autoridade de mídia classificou a obra como rejeitada por causa da violência e crueldade consideradas extremas. A fama das pessoas passando mal durante sessões também entrou nessa história.<br /><br />Essa história começou a se formar muito cedo. A estreia internacional aconteceu no Festival Internacional de Cinema de Toronto, na famosa sessão Midnight Madness, justamente o tipo de espaço em que filmes extremos encontram seu público. A organização distribuiu sacos para vômito como brincadeira promocional, e relatos de espectadores vomitando ou desmaiando durante exibições ajudaram a transformar o filme em uma espécie de desafio entre fãs de cinema extremo. Em vez de prejudicar sua reputação, tudo isso acabou alimentando ainda mais a curiosidade.<br /><br />Só que existe outra coisa muito interessante em Ichi, o Assassino que pode passar despercebida quando todo mundo só fala das cenas nojentas: o visual. A história se passa no ambiente urbano de Tóquio, e a cidade aparece como um labirinto de prédios, bares, becos, placas luminosas, ruas apertadas e uma quantidade absurda de neon. É uma versão suja e decadente da megacidade asiática moderna, mas ao mesmo tempo extremamente colorida. A comparação