As pausas para hidratação, conhecidas internacionalmente como cooling breaks, estão se consolidando como um dos símbolos da crescente influência dos bilionários americanos sobre o futebol mundial. Apresentadas pela FIFA como uma medida para proteger atletas e…

As pausas para hidratação, conhecidas internacionalmente como cooling breaks, estão se consolidando como um dos símbolos da crescente influência dos bilionários americanos sobre o futebol mundial. Apresentadas pela FIFA como uma medida para proteger atletas em condições de calor extremo, elas também abriram uma nova e lucrativa fonte de receita para emissoras de televisão, patrocinadores e investidores ligados aos esportes dos Estados Unidos.

Para muitos torcedores, as interrupções representam uma descaracterização do futebol, um esporte tradicionalmente marcado pelo fluxo contínuo do jogo. A crítica é que esses intervalos não servem apenas para hidratação, mas também para criar espaços publicitários semelhantes aos existentes no futebol americano, no beisebol e no basquete.

A discussão ganhou força durante a Copa do Mundo. Afinal, uma pausa em momentos decisivos pode alterar completamente a dinâmica de uma partida. Imagine, por exemplo, se durante o período de domínio absoluto da Argentina sobre a França na final da Copa do Catar de 2022, o técnico francês Didier Deschamps tivesse recebido dois minutos extras para reorganizar sua equipe e interromper o embalo argentino.

Uma mina de ouro para as emissoras

Os direitos de transmissão representam uma das principais fontes de receita da FIFA, ao lado da venda de ingressos e dos contratos de patrocínio. As pausas para hidratação ampliaram ainda mais esse potencial.

Na prática, isso significa quatro comerciais de 30 segundos por intervalo. Como normalmente há duas pausas por partida, são oito anúncios extras por jogo.

Em um torneio com 104 partidas, isso representa 832 novos espaços publicitários.

Segundo o jornal americano The Wall Street Journal, a Fox cobra cerca de US$ 200 mil por um comercial de 30 segundos durante partidas da fase de grupos. Quando a seleção dos Estados Unidos entra em campo, esse valor pode chegar a US$ 750 mil.

Já o Sports Business Journal, veículo especializado na indústria esportiva, estima que a emissora possa faturar cerca de US$ 250 milhões apenas com os anúncios exibidos durante as pausas para hidratação. Se o valor médio dos comerciais aumentar ao longo da competição, a receita pode ultrapassar US$ 330 milhões.

Em outras palavras, apenas esses intervalos podem permitir que a emissora recupere mais da metade do valor investido nos direitos de transmissão.

O modelo americano invade o futebol

A expansão desse formato está diretamente ligada à chegada de grandes investidores americanos ao futebol europeu.

Uma partida da NFL possui quatro quartos, diversos tempos técnicos e interrupções constantes. Segundo levantamento do The Wall Street Journal, os comerciais ocupam aproximadamente uma hora de uma transmissão típica.

Muitos dos empresários que hoje controlam clubes europeus construíram suas fortunas justamente nesse modelo.

A família Glazer, proprietária do Manchester United, também controla o Tampa Bay Buccaneers.

Todd Boehly, dono do Chelsea, é um dos controladores do Los Angeles Dodgers e dos Los Angeles Lakers.

Já John Henry, controlador do Liverpool, também é dono do Boston Red Sox.

Outro personagem importante é Arthur Blank, proprietário do Atlanta Falcons e do Atlanta United FC.

A MLS (Major League Soccer) é a principal liga profissional de futebol dos Estados Unidos. O estádio administrado por Blank, o Mercedes-Benz Stadium, recebeu partidas da Copa e se tornou um dos símbolos do modelo americano de exploração comercial do esporte.

A tomada do futebol europeu