A associação Casa de Angola, nascida em Lisboa em 1971 e que não passou imune à turbulência da revolução, tem agora as contas saneadas, após um período...
A associação Casa de Angola, nascida em Lisboa em 1971 e que não passou imune à turbulência da revolução, tem agora as contas saneadas, após um período de instabilidade, e quer reforçar-se como ponte entre Portugal e Angola.
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A associação Casa de Angola, nascida em Lisboa em 1971 e que não passou imune à turbulência da revolução, tem agora as contas saneadas, após um período de instabilidade, e quer reforçar-se como ponte entre Portugal e Angola.
A partir de agora, acrescentou, a Casa de Angola quer empenhar-se em conseguir receitas estruturais, desde logo para manter a sede, o edifício situado na Travessa da Fábrica das Sedas (entre o Largo do Rato e o Jardim das Amoreiras), projetado pelo renomado arquiteto Cassiano Branco, que ali viveu com a família.
Daí, vêm surgindo ideias de alugar espaços a empresas ou instituições culturais ligadas a Angola.
Quer ainda ser plataforma de divulgação de Angola e aproximação a Portugal.
Contudo, disse, tratam-se só de ideias e qualquer decisão caberá à nova direção, pois este ano haverá eleições.
Atualmente, a âncora da Casa de Angola é o espaço gastronómico, liderado pelo chef Paulo Soares, uma referência na comida típica angolana.
A Casa de Angola foi fundada em 1971. O edifício-sede foi adquirido nesse ano por sete mil contos.
Gervásio Viana, atual membro da direção, contou à Lusa que um dos mentores foi o seu padrasto, Burity da Silva, deputado pelo círculo de Angola na Assembleia Nacional entre 1961 e 1965, durante a ditadura.
Com o fim da Casa dos Estudantes do Império (criada em 1944 para acolher estudantes das antigas colónias e encerrada em 1965 pela PIDE), a comunidade angolana sentia falta de um espaço que a agregasse.
Para convencer o poder, foi criado um conselho estratégico com gente ligada ao regime (como Baltazar Rebelo de Sousa, pai do ex-Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa). Em 1971, saiu o despacho governamental que cria a Casa de Angola.
A revolução de 25 de Abril de 1974 foi marcante para a Casa de Angola. Gervásio Viana contou que, de imediato, jovens angolanos deslocaram-se para ali contestando a direção e que, em 26 de abril, são-lhes entregues as chaves da associação.
Nos anos seguintes, já com a independência do país, a Casa de Angola transformou-se numa espécie de consulado de Angola, emitindo vistos e tratando de documentação de angolanos, relatou Viana.
Ao mesmo tempo, não escapou às turbulências da revolução, sendo alvo de vários atentados bombistas, atribuídos à extrema-direita.
Em julho de 1976, nova bomba destrói a Casa de Angola.
Uma fotografia que acompanha a reportagem mostra o exterior da Casa de Angola com centenas de pessoas concentradas.
A Casa de Angola foi, por essa altura, ocupada por famílias cabo-verdianas, que aí viveram nos anos seguintes.
Em junho de 1996, a Lusa noticiava que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) as tinha realojado e que a direção estava a reconstruir a sede, com projeto do arquiteto Troufa Real, funcionando provisoriamente a Casa de Angola na Rua do Forno do Tijolo.
Já em 24 de junho de 2001, a Lusa noticiava a cerimónia de reabertura da sede e que a reconstrução tinha contado com o apoio da CML, da petrolífera Sonangol e do Governo angolano.
Na cerimónia, o então presidente da CML, João Soares, contou que, na última visita do seu pai, Mário Soares, a Angola como Presidente da República, umas das preocupações transmitidas foi precisamente o estado da Casa de Angola, pelo que o país se envolveu na reconstrução.



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