Ele sonhava com a carreira de ator, foi fazer intercâmbio perto de Hollywood e acabou ganhando protagonismo no ensino do idioma a brasileiro
O professor Leo Reis se tornou uma referência no ensino de inglês a celebridades e times de futebol.
Ele próprio ficou famoso ao aparecer ao lado dos alunos nas redes sociais e pelas entrevistas sobre a trajetória de sucesso nos Estados Unidos.
Em conversa com a coluna, o mestre em Linguística e colunista da CNN Brasil conta detalhes da relação com os aprendizes midiáticos.
Como se tornou próximo do Neymar?
Com o Neymar, a relação começou pela minha parceria com o Santos Futebol Clube. Mais tarde, fui procurado pela NR Sports em um momento importante da carreira dele. Neymar estava deixando o Paris Saint-Germain, da França, para jogar no Al-Hilal, da Arábia Saudita, e precisava desenvolver ainda mais o inglês. Começamos as aulas e, naturalmente, passei a conviver mais de perto com ele e com as pessoas que fazem parte do seu entorno profissional.
E com o Ronaldo Fenômeno?
Com o Ronaldo, a história foi diferente, porque nunca fui professor dele. Eu já havia conhecido o Ronald, seu filho, e a Milene Domingues durante o Dancing Brasil, na época em que o programa era apresentado pela Xuxa. Anos depois, participei do leilão beneficente promovido pelo Ronaldo e, a partir desse reencontro, estreitamos o contato. Foi assim que também me aproximei da Rede Ronaldo. São relações que surgiram de maneiras e em momentos diferentes da minha trajetória. Mostram como o futebol sempre esteve muito presente na minha vida profissional e acabou me proporcionando encontros e conexões que foram muito além das aulas de inglês.
Como professor, que nota dá para o inglês de Ronaldo e Neymar?
Daria uma boa nota aos dois: 8 de 10. Tanto Ronaldo quanto Neymar já demonstraram em entrevistas internacionais que têm habilidade linguística e, principalmente, conseguem se comunicar em inglês com naturalidade. Claro que aparece um errinho aqui ou ali, seja de gramática, pronúncia ou escolha de palavras, mas isso é absolutamente normal, inclusive entre pessoas que utilizam o idioma há muitos anos. Para mim, o mais importante é que eles conseguem transmitir a mensagem, compreender o interlocutor e se fazer entender. E, no final das contas, esse é o principal objetivo de aprender uma língua.
Já ensinou o idioma a outros famosos?
Tive a oportunidade de trabalhar com nomes de diferentes áreas, principalmente do esporte e do entretenimento. Entre eles estão Cafu, Felipe Melo, César Menotti, Luciana Vendramini e Renzo Gracie. É muito interessante porque cada aluno chega com uma necessidade diferente. Um jogador precisa do inglês para entrevistas, contratos, viagens e convivência internacional. Já um artista pode precisar para uma produção ou entrevista. Então, meu trabalho sempre foi adaptar o inglês à vida real daquela pessoa.
O que acha da fama dos brasileiros de recorrer ao ‘embromation’ quando dão entrevistas em inglês?
Eu acho divertido, desde que o ‘embromation’ seja uma ponte e não um destino. O brasileiro geralmente tem medo de errar, mas quando precisa se comunicar acaba encontrando um caminho. Isso é positivo. O problema é permanecer eternamente nisso. Eu prefiro alguém tentando falar inglês, mesmo cometendo erros, do que alguém que estudou durante anos e não abre a boca por medo. Primeiro você se comunica, depois vai aperfeiçoando.
Você esteve com a influenciadora Virginia Fonseca. Testou o inglês dela?
Não cheguei a testar. Fui apresentado à Virginia durante o cruzeiro do Neymar e conversamos sobre a possibilidade de ela estudar inglês comigo. Ela demonstrou interesse, mas, por conta da agenda lotada, nunca conseguimos iniciar as aulas. Ela foi muito simpática e brincou dizendo que, apesar de ter nascido nos Estados Unidos, “inglês que é bom, nada”.
Verdade que Pelé ofereceu ajuda a você em um aeroporto?
Essa é uma história que nunca vou esquecer. Aconteceu em 1994, no meu primeiro voo para os Estados Unidos. Eu estava indo fazer um intercâmbio cultural, cheio de expectativas com aquela primeira experiência no país, justamente no ano em que os Estados Unidos sediavam a Copa do Mundo. Quando pousamos, fomos buscar as malas e, para minha surpresa, Pelé estava ali também. Na hora de retirar minha bagagem da esteira, ele percebeu que a mala estava pesada e simplesmente se ofereceu para me ajudar a tirá-la. Imagine a cena: eu, ainda muito jovem, chegando aos Estados Unidos pela primeira vez para um intercâmbio, e quem me ajuda com a mala é simplesmente o Pelé! É uma lembrança que guardo com muito carinho. Não apenas por ter encontrado o maior jogador da história do futebol, mas pela simplicidade e gentileza daquele gesto. Ele não precisava fazer aquilo, mas fez com a maior naturalidade.
Foi para os Estados Unidos atrás do ‘American Dream’?
Na verdade, fui para aprimorar meu inglês em um intercâmbio cultural. Naquela época, meu sonho era ser ator. Eu fazia teatro em São Paulo e enxergava aquela viagem como uma oportunidade de viver uma nova experiência, aprender inglês e conhecer outra cultura. Cheguei a Los Angeles em janeiro de 1994 e fiquei completamente fascinado. Para um jovem brasileiro chegando ali pela primeira vez, parecia que eu tinha desembarcado no futuro. Tudo era diferente, grandioso, e aquilo despertou em mim uma curiosidade e uma vontade enorme de descobrir o que aquele país poderia me proporcionar. O que deveria ser apenas um intercâmbio acabou se tornando o primeiro capítulo de uma história que mudou completamente a minha vida. O sonho de ser ator foi tomando outros caminhos, o inglês deixou de ser apenas algo que eu queria aprender e acabou se tornando minha profissão e, mais tarde, a base de tudo o que construí com a educação. Então, talvez eu não tenha ido aos Estados Unidos em busca do ‘American Dream’, mas foi lá que comecei, sem saber, a construir o meu próprio sonho americano.
Como se tornou jurado do Miss Universe Brasil?




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