CPR se consolidou como principal instrumento financeiro privado do modelo empresarial, com R$ 205 bilhões

Compartilhar matériaO crédito rural utilizado pela Agricultura Empresarial na safra 2025/26 totalizou R$ 477,2 bilhões, segundo dados do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) divulgados nesta sexta-feira (10).  Os dados desconsideram os valores destinados ao Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar).

Nesta safra, o CPR (Cédula de Produto Rural) se consolidou como o principal instrumento financeiro do mercado privado e correspondeu a 43% do total (R$ 205 bilhões) e ultrapassou o custeio tradicional, com 31,5% do total (R$ 150 bilhões).

Investimento (R$ 50 bilhões), Comercialização (R$ 37 bilhões) e Industrialização (R$ 33 bilhões) foram os demais destinos do crédito.

Na análise por segmento, o grupo Demais empresarial, que é composto por grandes e médios produtores excluindo o Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural), correspondeu a 44,1% (R$ 210 bilhões), seguido por CPR (R$ 205 bilhões) e pelo Pronamp (R$ 61 bilhões). 

Análise por programa 

Os programas de investimento da agricultura empresarial somaram R$ 50,5 bilhões. Segundo o ministério, o resultado foi impactado pelos altos juros durante a safra, somados a instabilidade internacional; inadimplência; custos de produção; riscos climáticos e intempéries; e maior seletividade das instituições financeiras na concessão do crédito.

Confira a aplicação para cada programa:

De acordo com o Mapa, o nível de investimento em cada linha continua abaixo do programado por uma restrição na demanda maior do que a da oferta.

Número de Contratos e fonte de recursos Na última safra, foram registrados 534 mil contratos de crédito rural na Agricultura Empresarial, sendo 161 mil de CPRs, o que, na avaliação da pasta, evidencia a relevância desse instrumento na estrutura de contratação do setor.

Os recursos obrigatórios lideraram as fontes de recursos controladas, com R$ 53,8 bilhões (40%), seguido por LCAs, com R$ 30,5 bilhões (22,7%) e Fundos Constitucionais, com R$ 20,6 bilhões (15,4%).

Já nas fontes não controladas, LCAs livres (R$ 67,1 bilhões), Poupança Rural (63,2 bilhões) e BNDES (R$ 5,64 bilhões) lideraram.

Distribuição regional 

A região Sul concentrou o maio número de contratos (146 mil) e o valor destinado (R$ 81,1 bilhões), seguida pela região Sudeste, com 110 mil contratos e R$ 75,8 bilhões, e região Centro-Oeste, 63,8 mil contratos e R$ 75,8 bilhões.

O Sul, embora líder em valor absoluto, tem o menor tíquete médio (R$ 552,2 mil), refletindo maior pulverização de contratos entre produtores de menor porte relativo.

Recursos equalizados 

Os recursos equalizáveis concedidos na safra 2025/2026 (posição em jun/2026) totalizaram R$ 53,6 bilhões, correspondentes a 58,6% da programação final de R$ 91,4 bilhões. Desse montante, R$ 28,3 bilhões foram destinados a custeio (36% do total previsto) e R$ 24,5 bilhões para investimento (47% do valor programado).  

“A execução reflete a maior seletividade das instituições financeiras e a vigência, nesta safra, do cumprimento das exigibilidades dos depósitos à vista pelas cooperativas de crédito e bancos cooperativos, que direcionaram parte expressiva de suas contratações para essas fontes, em detrimento das fontes equalizáveis”, destacou o relatório. 

Confira o rendimento investimento por programa

Sob supervisão de Andressa Simão