Sergio Moro virou ídolo dos eleitores de Jair Bolsonaro ao mandar prender Lula em 2018.Alexandre de Moraes ganhou status de xerife da outra turma ao conduzir o julgamento da trama golpista e colocar Jair Bolsonaro em cana.Por razões diferentes, um e ou

Sergio Moro virou ídolo dos eleitores de Jair Bolsonaro ao mandar prender Lula em 2018.

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Alexandre de Moraes ganhou status de xerife da outra turma ao conduzir o julgamento da trama golpista e colocar Jair Bolsonaro em cana.

Por razões diferentes, um e outro foram expostos em conversas, digamos, inapropriadas e provaram a máxima de que o Brasil é um romance sem heróis.

Como, em política, não existe espaço vazio, e ninguém aprende com a história, o vácuo deixado por eles nunca foi tão disputado como agora.

Ex-ministro de Jair Bolsonaro, André Mendonça passou a ser tratado como entidade divina pela extrema-direita quando expôs e pediu investigação sobre Xandão no Supremo Tribunal Federal. Silas Malafaia e Valdemiro Santiago formataram uma cruzada espiritual que tem no ministro terrivelmente evangélico um ícone a ser protegido.

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Enquanto desossava Moraes, Mendonça divulgava vídeo agradecendo as preces recebidas e era agraciado pela candidata ao Senado Michelle Bolsonaro (PL-DF), que nas redes o chamou de "irmão em Cristo".

Com a confiança na Lua, ele imaginou ter retaguarda para atacar dois inimigos ao mesmo tempo, a ala antigolpista do STF e a Polícia Federal, e mandou tirar do cargo o diretor-geral da PF, a quem acusou de espalhar mentiras sobre sua atuação como relator do caso Banco Master.

Flávio Bolsonaro (PL), que vê no limão do mesmo escândalo a chance de moer dois inimigos e fazer uma limonada, discursou no domingo diante de um boneco inflável de Mendonça e partiu pra cima de Alexandre de Moraes.

Nas redes, reforçou o discurso de que votar em Lula é votar em Moraes. E "denunciou" uma suposta espionagem ilegal da PF sobre Mendonça.

Nesse meio tempo Flávio Dino entrou em campo, deu uma ombrada em Mendonça e mandou o chefe da PF voltar para o cargo. Levou parte dos eleitores ao delírio e outra parte, ao escarcéu.

"O comunista Flávio Dino, escudeiro de Lula, desmoraliza o STF", esbravejou Silas Malafaia, escudeiro do outro Flávio, no X.

O partido Novo foi além. Lembrou do abaixo-assinado organizado pela legenda para tentar barrar a indicação de Dino para o STF em 2023. E lamentou: "Vivemos agora as consequências de ter um ministro terrivelmente soviético".

"O Brasil está sem presidente, virou várzea", lamentou Flávio, ao compartilhar a notícia da decisão. "Não é sobre esquerda ou direita, é sobre resgatar o Brasil do cativeiro."

Lula (PT), que indicou Dino ao posto, foi às redes quase ao mesmo tempo. Sem citar nomes, ele defendeu a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, "seja quem for, doa a quem doer". "O Brasil precisa saber a verdade", escreveu.

Na véspera, a página da campanha de Lula havia adotado outro tom. "Indicado por Bolsonaro, o juiz André Mendonça decidiu afastar o chefe da Polícia Federal que prendeu Daniel Vorcaro, o irmaozão de Flávio Bolsonaro", dizia o texto, apagado na sequência. "Por quê? É o que o Brasil quer saber."

Enquanto durar o sigilo do Caso Master, quem de fato encheu os bolsos com o escândalo do Banco Master poderá torturar os fatos como bem quiserem. Não sem choro e ranger de dentes a cada nova medida suprema. Que, de uns dias pra cá, não dura 24 horas.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL