Presidente comentou a crise que se instalou na Suprema Corte e defendeu a discussão sobre uma reforma no poder Judiciário

Em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o que chamou de “indústrias das fake news e dos vazamentos seletivos”. A declaração foi dada durante um evento no Palácio do Planalto e ao lado do presidente do STF, Edson Fachin, nesta sexta-feira (4/9).

Em discurso, o petista defendeu o fortalecimento das instituições democráticas em meio à crise envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, no âmbito das investigações sobre o Banco Master.

Lula afirmou que, sem instituições sólidas, a democracia fica “vulnerável” e pediu que Fachin e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, assumam a responsabilidade sobre o caso.

“Está nas tuas costas [Fachin] e nas costas do Paulo Gonet a responsabilidade passar o mínimo de tranquilidade, sem tentar esconder absolutamente nada”, cobrou o petista.

Em seguida, ele fez críticas ao vazamento de trechos de investigações, que na avaliação dele tem objetivos políticos e econômicos.

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Lula também defendeu, para o próximo governo, a discussão sobre a necessidade de uma reforma no poder Judiciário. Ele frisou, ainda, que “ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal”.

Na ocasião, o presidente sancionou projetos de lei relacionados à criação de fundos para o aperfeiçoamento da Justiça Federal, do Superior Tribunal de Justiça, da Defensoria Pública da União e do Ministério Público. O evento contou com a presença de ministros e autoridades do poder Judiciário.

O ministro Edson Fachin também falou sobre as tensões na Suprema Corte durante a cerimônia. Ele ressaltou que os fatos estão em apuração e prometeu uma resposta “firme, proporcional e rigorosa” diante da crise. O magistrado defendeu ainda o fim do Inquérito das Fake News, aberto em 2019, que está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

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O conflito na Corte escalou no início da semana, com a divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF) que aponta trocas de mensagens entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A derrubada do sigilo do documento foi autorizada pelo ministro André Mendonça.

Dois dias depois, Moraes pediu a abertura de uma investigação contra Mendonça no Inquérito das Fake News. O magistrado apontou indícios de abuso de autoridade, crime de responsabilidade e improbidade administrativa na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero.

Fachin deu cinco dias para que Mendonça, Moraes, PGR e PF prestem informações sobre o caso. Nesta sexta, o presidente do STF também determinou a retirada do pedido de Moraes do Inquérito das Fake News e submeteu o caso à presidência.