O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) defendeu nesta sexta-feira (11) que a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) marcada para a próxima terça-feira (15), em que o Plenário votará se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado após relató…
O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) defendeu nesta sexta-feira (11) que a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) marcada para a próxima terça-feira (15), em que o Plenário votará se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado após relatório da Polícia Federal (PF) que indica relação de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, seja pública e televisionada.
“Eu suplico ao [presidente do STF] Edson Fachin e a todos os membros do STF, que na [próxima] terça-feira , número um: tenha um julgamento público, número dois: tenha um julgamento completamente aberto e televisionado para a nação brasileira”, disse Cury a jornalistas em agenda na capital de São Paulo.
Além de Moraes, o candidato do Avante afirmou que “quem está na agenda de [Daniel] Vorcaro deve pagar e com todas as consequências prescritas na lei”. “Não é possível mais esse país ser capturado, sequestrado por essa epidemia da corrupção”, continuou.
Até o momento, o STF não divulgou oficialmente todos os detalhes sobre o rito da sessão, incluindo se haverá transmissão.
Fachin determinou a realização da sessão em decisão na quarta-feira (9). Os ministros deverão analisar o relatório da PF, elaborado a partir de investigação conduzida pelo ministro André Mendonça, com mensagens e outros elementos sobre a relação entre Moraes e Vorcaro.
O Valor apurou que uma ala do STF defende que o Plenário também analise a atuação de Mendonça no caso. Caso isso não ocorra, ministros poderão apresentar pedido de vista, o que interromperia a votação e adiaria a conclusão do julgamento.
Na ocasião, Cury voltou a criticar Flávio Bolsonaro (PL), questionando a experiência profissional do senador e cobrando explicações sobre o caso do filme “Dark Horse”, que é alvo de investigação pela PF.
“Flávio Bolsonaro tem de explicar o ‘Dark Horse’ até às últimas consequências. E doa quem doer. Ele [também] não tem experiência de trabalho. Montou [somente] uma franquia de chocolate. Eu sou empresário de várias empresas, inclusive que impactaram vários Estados, e até outros países”, afirmou Cury.
Ao citar a franquia, Cury fez referência a uma loja da Kopenhagen no Rio de Janeiro, da qual Flávio foi sócio, investigada pelo Ministério Público do Rio no caso das “rachadinhas”, sob suspeita de lavagem de dinheiro. O estabelecimento foi alvo de busca e apreensão em 2019. O Judiciário entendeu que Flávio não cometeu crime.
Na quinta-feira (10), Cury havia dito que não apoiaria Lula em eventual segundo turno contra Flávio “em hipótese alguma”. Ao mesmo tempo, admitiu apoiar o senador, desde que ele prove que não é corrupto, explique o caso “Dark Horse” e registre em cartório o compromisso de cumprir seu plano de governo.
Cury também reafirmou a preferência por enfrentar Lula no segundo turno. Segundo ele, o presidente teria interesse em disputar contra Flávio, enquanto alega que sua candidatura seria mais difícil de enfrentar. “Agora, o sonho de Lula é ter Flávio Bolsonaro no segundo turno, [pois] vai trucidar o Flávio [devido a] vários escândalos que dizem que tem por aí, eu nem sei. Mas o pesadelo de Lula é ter Augusto Cury no segundo turno. Lula, nós vamos nos encontrar lá, meu amigo”, disse.
Cury rebate contradição apontada pela USP
Cury também comentou a controvérsia sobre sua apresentação como professor de pós-graduação da Universidade de São Paulo (USP). Em seu site e no plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato se apresenta como professor de pós-graduação da universidade. No entanto, a USP afirmou que Cury atuou como professor convidado entre 2020 e 2022, na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto, e não como integrante permanente do corpo docente.
Cury contestou a versão e disse que a avaliação da universidade é equivocada. “É uma avaliação totalmente errada [...] no grupo de pesquisa [do qual Cury diz ter feito parte], tem um livro dos meus alunos do programa de mestrado e doutorado, comprovando claramente e convictamente que eu já ofereci essa disciplina por uns três anos”, afirmou. Apesar da declaração, Cury não esclareceu diretamente sobre a diferença apontada pela USP entre sua atuação como professor convidado e a indicação de que seria professor permanente.
Além dessa controvérsia, o TSE atualizou a lista de bens de Cury, após uma retificação de sua declaração para incluir empresas que tinham sido omitidas. A campanha admitiu "inconsistências pontuais", após o jornal Folha de S.Paulo revelar que o presidenciável tinha deixado de informar empresas suas nos Estados Unidos e no Brasil, e afirmou que as participações "são inexpressivas em relação ao patrimônio do candidato e correspondem a empresas inativas ou sem rendimentos".
Com a inclusão das empresas, num total declarado de R$ 311.849,91, o patrimônio informado pelo escritor e médico psiquiatra subiu para R$ 242,5 milhões. Mesmo antes da retificação, Cury já figurava como o candidato ao Palácio do Planalto com maior volume de bens nesta eleição.




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