Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) já fazem uma disputa com cara de segundo turno antes mesmo do início oficial da campanha. O impacto do caso "Dark Horse", o avanço das investigações do Banco Master sobre o campo petista e o giro da máquina do governo preparam as duas campanhas para um embate direto. Leia mais (06/20/2026 - 12h00)
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20.jun.2026 às 12h00
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Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) já fazem uma disputa com cara de segundo turno antes mesmo do início oficial da campanha. O impacto do caso "Dark Horse", o avanço das investigações do Banco Master sobre o campo petista e o giro da máquina do governo preparam as duas campanhas para um embate direto.
O petista retomou a condição de favorito assim que foram reveladas as conversas em que Flávio pedia milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, em maio. Lula explorou o momento para reforçar a propaganda de bandeiras que pretende levar à campanha, como a defesa do fim da escala 6x1, e abrir os cofres do governo para tentar ganhar pontos de popularidade.
Após um início de ano em que os ventos pareciam soprar a favor do adversário, o resultado para o presidente foi reconfortante, mas ainda modesto. A avaliação do governo melhora a passos lentos, e Lula ainda vê Flávio em seu encalço nas simulações de segundo turno.
Agora, a investigação sobre as conexões do Banco Master com o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), surge como variável capaz de diluir os efeitos agudos do escândalo que atingiu a direita. Ainda que de maneira difusa, o episódio pode oferecer anticorpos a eleitores que buscam justificativa para continuar ao lado de Flávio.
O caso "Dark Horse" provocou um prejuízo limitado à candidatura do senador, como mostram os números da nova pesquisa feita pelo Datafolha. O filho de Jair Bolsonaro parece ter conseguido estancar sua queda num patamar que o mantém como o nome mais competitivo da direita, sem enfrentar uma ameaça real de outros pretendentes.
Mesmo assim, a pesquisa mostra que o episódio, que desnorteou a pré-campanha de Flávio por algumas semanas, não foi um mero soluço. O senador ainda aparece dez pontos atrás de Lula no primeiro turno e perdeu o empate técnico que animava seu comitê nas simulações de segundo turno.
Embora tenha preservado a lealdade do eleitor bolsonarista e de uma boa parcela do eleitor de direita menos vinculado a esses grupos fiéis, há uma faixa restrita que demonstra estar com um pé atrás em relação a Flávio e pode fazer muita falta numa eleição presidencial que, mais uma vez, promete ser apertada.
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Flávio ainda atravessa uma espécie de crise de confiança em setores estratégicos do eleitorado. Esse quadro aparece de maneira nítida no primeiro turno, onde o Datafolha captou um distanciamento de grupos importantes quando estourou o caso "Dark Horse".
O senador até recuperou alguns pontos nas últimas semanas, mas seu desempenho continua muito abaixo do capital acumulado pelo patriarca da família em segmentos como evangélicos e brasileiros mais escolarizados.
No primeiro turno, Flávio aparece quatro pontos atrás de Lula na região Sudeste e tem uma vantagem modesta de apenas sete pontos no Sul. Entre eleitores com ensino superior, o petista tem seis pontos a mais que o pré-candidato do PL.
Mesmo entre os homens, que deram boas vantagens a Jair Bolsonaro no passado, Flávio arranca apenas um empate com Lula no primeiro turno (37% a 37%).
As esperanças de Flávio já estão depositadas no segundo turno —e os números da pesquisa dão alguma razão ao senador.


